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Incêndios florestais na Europa podem aumentar 39% à falta de medidas

Incêndios florestais na Europa podem aumentar 39% à falta de medidas

Um estudo revela que melhorias na gestão de incêndios podem reduzir a área queimada em 72% a 92%, mas sublinha a necessidade de se mitigar as alterações climáticas.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Sarah Meyssonnier - Reuters

Um estudo publicado esta quinta-feira na revista científica Global Change Biology alerta que, mesmo no melhor cenário, os incêndios na Europa podem aumentar 39% até ao final do século se não forem tomadas medidas de mitigação.

“Até o final do século, a intensificação das condições meteorológicas propícias a incêndios, por si só, poderá aumentar a área queimada anual em aproximadamente 39% num cenário de baixas emissões e em quase 192% num cenário de altas emissões”, diz o estudo.

Maik Billing, investigador de ecossistemas do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático e principal autor do estudo, explica, citado pelo Guardian, que os “investimentos em gestão de incêndios podem ajudar até certo ponto, mas se continuarmos num caminho de altas emissões, ainda veremos aumentos significativos na área queimada”.

“A gestão de incêndios não pode substituir a mitigação das mudanças climáticas”, asseverou.

Os investigadores compararam a área queimada anual projetada para o período de 2070 a 2100 com os resultados modelados para o período de 2000 a 2030 e concluíram que o aumento das condições climáticas favoráveis a incêndios foi o principal fator de mudança.

No cenário mais otimista, em que o aquecimento global é limitado a 1,8°C, algumas regiões apresentaram melhorias moderadas das condições climáticas propícias a incêndios, enquanto outras sofreram poucas alterações.

Por outro lado, no cenário mais pessimista, com um aquecimento de 3,6°C até o final do século, os investigadores constataram que condições climáticas propícias a incêndios pioraram em “praticamente toda a Europa”. Com as políticas atuais, os cientistas preveem um aquecimento global de cerca de 2,6°C até o final do século.

Utilizando um segundo modelo, os investigadores descobriram que melhorias contínuas no combate a incêndios poderiam atenuar os efeitos do agravamento das condições climáticas propícias a incêndios, reduzindo a área queimada em 92% em comparação com a manutenção dos esforços de combate a incêndios nos níveis atuais.

“No entanto, sob fortes mudanças climáticas, a atividade de incêndios ainda aumenta em cerca de 55% das regiões propensas a incêndios na Europa, mesmo que os investimentos em capacidade de gestão de incêndios continuem nos níveis atuais”, ressalva o estudo.

“No geral, a melhoria da capacidade de gestão de incêndios florestais tem o potencial de limitar consideravelmente os impactos do agravamento das condições meteorológicas propícias a incêndios, mas pode não compensar totalmente os impactos das fortes mudanças climáticas”, conclui.

“O risco futuro de incêndios florestais será moldado não apenas pelo clima e pelo desenvolvimento socioeconómico, mas também pela capacidade dos sistemas de governança e gestão de incêndios de se adaptarem ativamente e manterem a sua eficácia à medida que as condições climáticas propícias a incêndios se intensificam”, explica.

O estudo é divulgado numa altura em que os incêndios florestais estão a devastar a Europa, que sofreu várias ondas de calor significativas.

Em toda a União Europeia, esta temporada de incêndios deverá ser a terceira pior de sempre, de acordo com dados divulgados pelo Serviço Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais. Mais de 600 mil hectares já foram queimados, com recordes batidos para esta época do ano na Bélgica, França e Eslováquia.
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