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Incêndios na Indonésia colocam 3,4 milhões de pessoas em risco de infeções respiratórias
O fumo dos incêndios florestais cobre várias províncias e já afeta zonas da Malásia e de Singapura. Por precaução, as autoridades fecharam escolas, distribuíram máscaras e mobilizaram milhares de pessoas para combater as chamas.
O alerta é do Ministério da Saúde da Indonésia. Milhões de pessoas estão em risco de desenvolver infeções respiratórias naquele país, devido ao fumo intenso provocado pelos incêndios florestais.
As chamas estão há várias semanas a atingir as ilhas de Sumatra e Bornéu, uma situação que é agravada pelas condições meteorológicas associadas ao fenómeno El Niño.
O Ministério indonésio da Saúde estima que "3,4 milhões de pessoas estejam expostas ao risco de infeções respiratórias", enquanto milhares de habitantes das regiões mais afetadas já receberam tratamento médico. O ar carregado de fumo afetou sobretudo crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
A deterioração da qualidade do ar levou as autoridades a adotar medidas de emergência em várias zonas do arquipélago.
Em Pekanbaru, na ilha de Sumatra, dezenas de escolas foram encerradas e os residentes aconselhados a permanecerem em casa. Na região de Jambi, foram também suspensas as aulas no pré-escolar e no ensino primário.
Para tentar reduzir os efeitos da poluição atmosférica, as autoridades de saúde distribuiram "mais de 260 mil máscaras" à população das áreas mais afetadas.
O fumo não se limita, contudo, ao território indonésio. As correntes de ar têm transportado a poluição para países vizinhos, com moradores da Malásia e de Singapura também afetados pela degradação da qualidade do ar.
Perante a dimensão dos incêndios, o Governo indonésio reforçou a operação de combate às chamas.
O Presidente, Prabowo Subianto, anunciou na terça-feira a mobilização de dezenas de helicópteros, aviões e bombas de água, além de milhares de pessoas envolvidas nas operações.
"Penso que a situação começa a ser controlada e os danos são limitados", afirmou o chefe de Estado.
As autoridades suspeitam, contudo, que uma parte significativa dos incêndios tenha origem nas queimadas agrícolas.
A Polícia Nacional da Indonésia anunciou no último fim de semana a detenção de 72 pessoas, suspeitas de terem provocado incêndios.
Os dados relativos à área ardida dão uma dimensão da escala do fenómeno. Entre janeiro e julho, os fogos destruíram mais de 200 mil hectares de floresta e outros terrenos, uma área equivalente a cerca de três vezes a superfície de Jacarta, a capital do país.
A área afetada é já superior à registada durante os episódios de El Niño de 2019 e 2023.
O fenómeno El Niño está a contribuir para a criação de condições particularmente favoráveis à propagação dos incêndios.
O fenómeno natural provoca alterações nos padrões de vento, na pressão atmosférica e na precipitação e está normalmente associado a períodos de seca na Indonésia. Estas condições tornam a vegetação mais seca e inflamável, facilitando a propagação das chamas e dificultando o combate aos incêndios.
O El Niño ocorre naturalmente, mas os seus efeitos podem ser agravados pelo contexto de alterações climáticas provocado pela atividade humana, contribuindo para episódios de calor e de seca mais extremos em algumas regiões do planeta.
C/ agências