Incêndios russos podem espalhar a radiação de Chernobyl

Os mais de 600 fogos florestais que continuam activos na Rússia levantam agora novos receios. O grupo ambientalista Greenpeace avisa que os incêndios podem vir a alastrar às zonas contaminadas em 1986 pelo desastre na central nuclear de Chernobyl e a espalhar os resíduos radioactivos numa vasta área. As autoridades russas estão preocupadas e dizem que estão a acompanhar, atentamente, o problema.

António Carneiro, RTP /
Os incêndios russos podem espalhar a radiação de Chernobyl. Maxim Shipenkov, EPA

Nos últimos dias, as equipas de emergência russas aumentaram as patrulhas florestais na região ocidental de Bryansk, para tentar evitar fogos florestais que possam vir a espalhar a radiação.

O ministro das Situações de Emergência da Rússia, Sergei Shoigu, assegurou que uma equipa de especialistas em radiação, enviada de Moscovo, examinou completamente a área e concluiu que não houve, até agora, nenhum aumento nos níveis radioactivos.

Bryansk foi a zona da Rússia mais afectada, há 24 anos, pela catástrofe nuclear no que era então a Ucrânia Soviética. Nos últimos dias deflagraram na região vários incêndios que foram imediatamente extintos pelas equipas do ministério das Emergências. A porta-voz do ministério naquela região, Irina Yegrushkina, confirma que os níveis de radiação continuam a ser normais no território que faz fronteira com a Bielorrússia e com a Ucrânia.

O chefe dos serviços de protecção florestal, Vladimir Rozinkevich, diz que aumentou as patrulhas, particularmente na parte sudoeste da região de Bryansk, afectada pela queda de produtos radioactivos vindos de Chernobyl. "Existe perigo, mas estamos a controlar a situação", declarou este responsável à agência Associated Press.

O Greenpeace e outros grupos ambientalistas avisaram que, se as poeiras radioactivas do solo contaminado pelo desastre de Chernobyl forem levantadas pelos fogos, podem espalhar radiação nociva, embora seja de prever que as doses sejam relativamente baixas.

Catástrofe nuclearNa madrugada de 26 de Abril de 1986 vastas áreas de terreno ficaram contaminadas em Bryansk, quando o Reactor Nº4 explodiu durante um ensaio na central nuclear de Chernobyl. As nuvens radioactivas que se libertaram nessa altura propagaram-se sobre grande parte do ocidente da União Soviética e do Norte da Europa.

As partículas radioactivas entranharam-se no solo, e os ambientalistas dizem que elas podem ser levantadas pelas chamas e espalhadas para outras regiões pelos ventos.

O Verão mais quente da história russa provocou até agora centenas de incêndios florestais que envolveram vastas áreas em torno de Moscovo e de outras zonas da Rússia ocidental

Mesmo sem o problema da radiação, a capital russa encontra-se coberta, desde há mais de mais de uma semana, por uma sufocante nuvem de fumo e produtos tóxicos que fez duplicar a mortalidade na cidade.

Os serviços de emergência dizem que cerca de 165.000 pessoas e 39 aviões de combate ao fogo estão envolvidos, por todo o país, no combate às chamas.

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