Independentistas vencem eleições no Quebeque segundo primeiras estimativas
Os independentistas do Partido do Quebeque venceram na segunda-feira, segundo as primeiras estimativas, as eleições e vão formar o próximo governo da província francófona do Canadá, onde prometem organizar um novo referendo sobre a independência.
De acordo com o grupo audiovisual público CBC/Radio-Canada e o canal CTV News, o líder deste partido, Paul Saint-Pierre Plamondon, um advogado de 49 anos, será o novo primeiro-ministro da província, dotada de competências muito amplas e com uma população de nove milhões de habitantes.
O regresso ao poder do partido, que não governava a província desde 2014, constitui um grande desafio para o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, numa altura em que não se vislumbra qualquer solução para o conflito comercial com os Estados Unidos (EUA) e em que se depara com outras tendências separatistas na rica província petrolífera de Alberta (oeste).
O partido de Plamondon prometeu organizar um novo referendo sobre a independência do Quebeque.
No entanto, o líder precisou que aguardaria pelo fim do mandato de Donald Trump na Casa Branca, em janeiro de 2029, por considerar que a atual escalada do conflito comercial entre os EUA e o Canadá "não oferece um clima sereno para refletir sobre o futuro" da província.
Se vier a realizar-se, será o terceiro referendo organizado no Quebeque, após os de 1980 e 1995. O último foi perdido por uma margem estreita pelo campo do "sim" à independência.
A questão da independência sempre dividiu profundamente o Quebeque entre os "soberanistas", que pretendem separar-se do Canadá, e os "federalistas". Mas a ideia de um novo referendo volta, pela primeira vez em 30 anos, a ocupar o centro do debate político.
Embora o movimento independentista vá além do Partido do Quebeque, a proporção dos seus eleitores dispostos a votar "sim" à separação do Canadá é de apenas 31%, de acordo com uma sondagem recente.
Segundo os analistas, o voto a favor do partido independentista foi mais motivado pela desilusão dos eleitores em relação ao governo cessante no que diz respeito ao custo de vida ou à saúde do que por um desejo de independência.
Embora a perspetiva de um referendo ainda seja distante, um governo do Quebeque independentista não é uma boa notícia para Mark Carney.
Paul Saint-Pierre Plamondon já deu a entender que encara a relação com Otava como uma "disputa de poder". Se o Quebeque não for "respeitado, (...) não vou ignorar o facto de que isso não é aceitável", afirmou na quinta-feira.
Questionado na segunda-feira, à chegada ao parlamento, em Otava, Mark Carney absteve-se de fazer qualquer comentário sobre as eleições, afirmando querer "trabalhar" com qualquer governo eleito.
Outro tema de discórdia: Plamondon prometeu igualmente "abolir a monarquia" no Quebeque, ou seja, cortar o financiamento da representante da coroa britânica na província, cujo papel - nomeadamente o de promulgar as leis provinciais - está, no entanto, consagrado na Constituição canadiana.
O Canadá é membro da Commonwealth e formalmente o seu chefe de Estado é o rei Carlos III. Trata-se de uma "farsa que custa dinheiro", denunciou o líder independentista, que diz querer utilizar esses fundos para reduzir o número de sem-abrigo.