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Índia confirma ataque aéreo na Caxemira paquistanesa
As autoridades indianas confirmaram ter lançado esta terça-feira um ataque aéreo na Caxemira paquistanesa e matado “um grande número” de militantes do grupo islâmico JeM. A versão paquistanesa aponta para um ataque sem vítimas. A operação militar representa uma escalada no conflito entre as duas potências nucleares.
O secretário do Exterior, Vijay Gokhale, afirmou que a Índia atingiu "o maior campo de treinos" do Jahish-e-Mohammed, JeM, na região de Balakot.
Gokhale revelou que tinha informação credível de que o grupo estava a treinar combatentes para realizarem ataques terroristas semelhantes ao ataque suicida perpetrado na semana passada, que matou 42 elementos paramilitares na Caxemira indiana. O atentado foi o mais mortífero desde 2002 e tem motivado uma troca de acusações entre os dois países.
“Em face de um risco iminente, o ataque aéreo preventivo tornou-se absolutamente necessário”, garantiu o secretário do Exterior, que reivindicou a morte de terroristas e de estruturas de comando do grupo.
De acordo com uma fonte governamental citada pela agência Reuters, cerca de 300 militantes foram mortos.Fontes da Força Aérea, citada pela agência de
notícias Indiana Asian News International, dizem terem sido usados 12
jatos Mirage e 1000 kg de explosivos, num ataque realizado cerca das
três da manhã.
Horas antes, o Exército do Paquistão já tinha afirmado que caças indianos entraram no território paquistanês e lançaram explosivos, mas sem causar vítimas mortais.
"Depois de uma resposta eficaz da Força Aérea do Paquistão”, combatentes indianos lançaram explosivos numa zona isolada e fugiram, escreveu o porta-voz do Exército, Asif Ghafoor, no Twitter.
Na mesma publicação, o porta-voz partilhou fotografias que mostram uma cratera e restos do que aparenta ser uma bomba.
Payload of hastily escaping Indian aircrafts fell in open. pic.twitter.com/8drYtNGMsm
— Maj Gen Asif Ghafoor (@OfficialDGISPR) 26 de fevereiro de 2019
Segundo Asif Ghafoor, não foram registadas quaisquer vítimas nem danos, durante a operação indiana na área de Balakot, na província de Khyber Pakhtunkhwa, um território fora da região disputada da Caxemira.
A Índia acusa o Paquistão de apoiar de forma dissimulada o grupo islâmico e as infiltrações na sua parte do território e a própria revolta armada, o que Islamabad sempre negou.
Imagem do local do ataque, fornecida pelo ISPR do Paquistão
O primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, convocou uma reunião de emergência das estruturas diplomáticas e de segurança de topo, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Shah Mahmood Qureshi.
“Considero o ataque uma violação da linha de controlo [fronteira de facto na zona de Caxemira, entre administração indiana e paquistanesa]”, disse Qureshi, num breve comentário aos jornalistas. “O Paquistão tem direito a uma resposta apropriada, tem o direito à autodefesa”, reforçou.
Os analistas afirmam que a localização exata dos ataques de hoje, Balakot, é imprecisa. Nem a Índia nem o Paquistão confirmaram oficialmente se o raide aéreo visou a zona de administração paquistanesa em Caxemira ou se os aviões passaram a fronteira internacional e bombardearam de facto território paquistanês.
As versões contraditórias sobre o ataque são semelhantes às veiculadas em setembro de 2016 em relação a “ataques cirúrgicos”, quando a Índia reclamou ter enviado forças especiais para destruir instalações de militantes para lá da linha de controlo. Um ataque que o Paquistão ainda diz que nunca aconteceu.
Incursões de artilharia sobre a zona de controlo são comuns. No entanto, incursões intencionais da Força Aérea não eram conhecidas publicamente desde que os dois países entraram em guerra em 1971.
A região de Caxemira é reivindicada tanto pela Índia como pelo Paquistão desde o fim da colonização britânica, em 1947. Ambos controlam partes deste território.
O total das forças indianas na parte controlada por Nova Deli é estimado em cerca de 500.000 efetivos.