Índia e Paquistão acordam sete medidas para reduzir tensões militares
A Índia e o Paquistão chegaram hoje a acordo sobre sete medidas destinadas a reduzir as tensões militares entre os dois países no Caxemira, segundo um comunicado hoje divulgado em Nova Deli.
Entre as medidas combinadas está um compromisso bilateral para que não sejam construídos novos postos militares ao longo da Linha de Controlo, que corresponde à fronteira "de facto" entre a Índia e o Paquistão na região do Caxemira.
As duas partes acordaram também na prorrogação do cessar-fogo em vigor na Linha de Controlo, segundo o comunicado, divulgado após uma reunião de altos responsáveis dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros indiano e paquistanês.
Os dois países assumiram ainda o compromisso de melhorar a eficácia da linha telefónica de emergência entre os militares indianos e paquistaneses e de realizar reuniões mensais de oficiais de alta patente, segundo o texto.
As outras medidas incluem a prorrogação dos acordos já em vigor sobre o respeito de ambas as partes pelos respectivos espaços aéreos, o reenvio rápido para o país de origem de todos os civis que atravessem inadvertidamente a fronteira e a reanálise regular do estado de aplicação das medidas de confiança em vigor.
A Índia e o Paquistão reclamam ambos a soberania sobre todo o território do Caxemira e, até à assinatura do cessar-fogo, em 2003, os dois exércitos confrontavam-se regularmente, com baixas quase diárias para ambos os lados.
As difíceis relações indo-paquistanesas têm melhorado desde Janeiro de 2005, altura em que os chefes de Estado dos dois países iniciaram um diálogo de paz, mas pouco tem sido feito para resolver o conflito de quase cinco décadas em torno do Caxemira.
Segundo o porta-voz da diplomacia indiana, Navtej Sarna, na reunião de hoje nenhuma das partes evocou qualquer redução da forte presença militar que mantêm no território.
O exército paquistanês estima em 700.000 o número de efectivos militares indianos no Caxemira, mas Nova Deli afirma que são menos de 500.000. O Paquistão, por seu lado, diz manter 50.000 efectivos no território.