Indígena Txai Suruí pede comunhão entre o passado e o futuro
A brasileira Txai Suruí foi o destaque da cerimónia inaugural da primeira edição da Web Summit Rio ao apelar a uma comunhão entre a tecnologia e o conhecimento ancestral para "adiar esse fim do mundo".
"Convido a todos a compartilharem desse sonho comigo. Um sonho em que os nossos povos e os nossos territórios sejam livres e onde a gente possa falar de futuro com essas tecnologias que já existem, que já estão sendo colocadas em prática dentro do nosso território", disse Txai Suruí, ao lado do apresentador Luciano Huck, numa sala com mais de seis mil pessoas que lotaram a sessão inaugural da Web Summit Rio.
O objetivo, disse, é "adiar esse fim do mundo e para assegurar esse céu".
Numa cerimónia com a presença do fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave, da cofundadora do movimento Black Lives Matter, Ayo Tometi, do CEO do Nubank (maior banco digital da América Latina), David velez, foi a ativista indígena brasileira que roubou o palco.
"Qual a importância de se falar de Amazónia num evento tão grande como este que fala de tecnologia?", questionou a ativista, respondendo logo de seguida: "Estamos vivendo hoje a maior crise que a humanidade já viveu que é a crise do clima e nós os povos indígenas somos a linha da frente nessa batalha que o mundo está vivendo".
"Somos nós os guardiões da floresta, somos 5% da população do mundo e protegemos 80% de toda a biodiversidade", afirmou, acrescentando que, ao agregar o conhecimento ancestral e a tecnologia, a missão de proteger as florestas e o clima são fundamentais para que se possa ter "um futuro".
O evento tecnológico, que nasceu em 2010 na Irlanda, passou a realizar-se na zona do Parque das Nações, em Lisboa, em 2016, e vai manter-se na capital portuguesa até 2028. A empresa anunciou recentemente a expansão para o Médio Oriente, com a Web Summit Qatar prevista para o início de 2024.