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Indígenas brasileiros. Relatório confirma 308 mortes na comunidade Yanomami em 2023

Indígenas brasileiros. Relatório confirma 308 mortes na comunidade Yanomami em 2023

Pelo menos sete indígenas morreram devido a ferimentos de balas em confrontos com traficantes de ouro. Outras 129 mortes foram causadas por doenças infeciosas. São dados fornecidos pela Associação Hutukara Yanomami que divulgou esta sexta-feira um relatório, fazendo um balanço, desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou emergência humanitária e enviou militares para acabar com a mineração ilegal na região da Amazónia.

Carla Quirino - RTP /
Sete indígenas Yanomami morreram com ferimentos de balas, em confrontos com traficantes. Ueslei Marcelino - Reuters

Os 30 mil habitantes da nação Yanomami que vivem na floresta tropical, em território brasileiro, junto à fronteira com a Venezuela, continuam a sofrer pressão dos traficantes que procuram metais preciosos na região.

As atividades de mineração ilegal desenvolvida pelos conhecidos garimpeiros, provocaram pelo menos sete mortes na comunidade indígena Yanomami, durante o ano passado.


Ouro apreendido pelo Grupo Especial de Fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, na Terra Indígena Yanomami, em Boa Vista, no estado de Roraima | Ueslei Marcelino - Reuters

Desde que o presidente brasileiro Lula da Silva estabeleceu a urgência de expulsar os garimpeiros ilegais da reserva indígena Yanomami, no norte da Amazónia, a atividade estagnou. Porém, quem por lá ainda anda na exploração ilegal de ouro manteve o nível de violência com quem lhes faz frente, disseram os líderes Yanomami, esta sexta-feira.

"As autoridades devem fazer mais. Peço-lhes que persigam e prendam os chefes do garimpo ilegal que nunca foram presos", disse o cacique e xamã Yanomami Davi Kopenawa, citado na Reuters.

“Eles devem ser presos, porque os mineiros vão-se embora, mas depois regressam. As máquinas destroem tudo, derrubam a floresta e envenenam o rio e os peixes de que vivemos”, vincou Davi.

Área de mineração ilegal de ouro do rio Couto de Magalhães, na Terra Indígena Yanomami, Estado de Roraima | Ueslei Marcelino - Reuters

O relatório afirma que a mineração ilegal e o desmatamento diminuíram, mas a presença contínua de mineiros armados intimida as viagens dos profissionais de saúde ao território, deixando a comunidade dos Yanomami mais vulnerável, adiando, por exemplo os processos de vacinação.

O documento reporta 129 mortes causadas por doenças infeciosas e doenças parasitárias e respiratórias. É sublinhado, por isso, a necessidade do reforço de segurança para a circulação dos médicos e enfermeiros.


O Grupo Especial de Fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis prende um garimpeiro ilegal na Terra Indígena Yanomami, estado de Roraima | Ueslei Marcelino - Reuters

De acordo com o relatório, presença das forças militares no primeiro semestre do ano passado reduziu o número de invasores em 80 por cento, mas depois quando a polícia reduziu as operações, os mineiros ilegais voltaram.

Lula já decidiu renovar a operação com os militares para garantir a presença do Estado na reserva.

Humberto Freire, diretor da Polícia Ambiental e Departamento da Amazon declarou que Polícia Federal reforçou as investigações para rastrear financiadores e fornecedores de substâncias precursoras como o mercúrio. Após terem desencadeado 13 operações desse tipo em 2023, apreenderam perto de 110 milhões de euros em mercadorias, principalmente ouro.

(com agências)
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