INE. Um terço dos estrangeiros residentes em Cabo Verde é da Guiné-Bissau

Os imigrantes da Guiné-Bissau representam um terço de toda a população residente em Cabo Verde, segundo dados definitivos do quinto Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH-2021), anunciados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Lusa /

Em termos globais, de acordo com a apresentação feita hoje na Praia pelo INE, os "resultados definitivos" do recenseamento apontam que Cabo Verde tinha em 2021 um total de 10.875 cidadãos de nacionalidade estrangeira, equivalente a 2,2% do total de 491.233 residentes no país contabilizados pelo RGPH-2021.

A população estrangeira é constituída sobretudo por homens (68,3%) e globalmente a Guiné-Bissau lidera entra as nacionalidades (33,7%), seguida do Senegal (11,3%), de Portugal (10%) e da China (7,1%).

Entre a população total residente, o recenseamento concluiu que 94,7% tinham apenas nacionalidade cabo-verdiana, 3% dupla nacionalidade e 2,2% só nacionalidade estrangeira, enquanto 0,05% eram apátridas, neste caso equivalente a 245 pessoas.

Os dados do RGPH-2021 concluem desta forma que havia cerca de 3.665 cidadãos da Guiné-Bissau a residir em Cabo Verde, número que não inclui os entretanto naturalizados ou com dupla nacionalidade.

Contudo, dados avançados anteriormente à Lusa por fonte da embaixada guineense na Praia, apontam que a comunidade imigrante da Guiné-Bissau no arquipélago ascende a cerca de 10 mil pessoas, a grande maioria sem documentos e por legalizar.

O RGPH-2021 de Cabo Verde, a maior operação estatística do arquipélago, ao envolver cerca de 2.000 profissionais, decorreu no terreno, com a recolha de dados totalmente em formato digital, de 16 de junho a 07 de julho.

Cabo Verde já realizou quatro recenseamentos após a independência, em 1980, 1990, 2000 e 2010. No anterior realizado, em 2010, a população residente no arquipélago então contabilizada foi de 491.875 pessoas, 117.289 agregados familiares, além de 114.297 edifícios e 141.761 alojamentos.

Este quinto Recenseamento Geral da População e Habitação deveria ter ocorrido em 2020, mas foi adiado para o ano seguinte, face à pandemia de covid-19.

Para realizar esta operação, o INE de Cabo Verde lançou um concurso para recrutar 1.625 agentes recenseadores no arquipélago, mas a operação envolveu globalmente cerca de 2.000 trabalhadores.

Segundo o INE, está prevista a divulgação de 40 publicações, sendo 24 volumes estatísticos, dados brutos, e 16 volumes de análise sobre temas variados e estudos temáticos, com base nesta operação de recenseamento.

A realização da operação está estimada em cerca de 700 milhões de escudos (6,3 milhões de euros), financiados, além do Governo de Cabo Verde, pela Cooperação Luxemburguesa, União Europeia, Escritório Conjunto das Nações Unidas e a Cooperação Espanhola.

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