Inédito. Tribunal culpa pai por matança feita pelo filho em escola dos EUA

James Crumbley - a par da mulher - vai ser condenado por homicídio involuntário por desvalorizar os sinais de problemas mentais do filho que matou, em 2021, quatro colegas numa escola num liceu, em Detroit, Michigan, em 2021.

Cristina Santos - RTP /
James Crumbley, 47 anos, pai de adolescente que matou quatro colegas na Oxford High School, perto de Detroit. Reuters

São quatro as acusações por homicídio involuntário que sentam James Crumbley no banco dos réus. O Tribunal considera que ele ignorou o estado mental do filho (então com 15 anos) e é responsável por não ter guardado em segurança a pistola semiautomática que ofereceu a Ethan como prenda de Natal. Razões que justificam a condenação do pai e da mãe do autor dos disparos.
Para além das vítimas mortais (com idades entre os 14 e os 17 anos), outras sete pessoas ficaram feridas.

James Crumbley esteve na quinta-feira em tribunal, onde ouviu, imperturbável, que vai ser condenado num caso que marca a primeira vez que pais são acusados de homicídio involuntário pelo facto de um filho ser o autor de um tiroteio nos EUA.

A advogada de defesa argumentou que James Crumbley não poderia saber o que filho estava a pensar fazer. No entanto, durante o julgamento, várias testemunhas afirmaram que, na manhã do tiroteio, um professor descobriu que Ethan Crumbley desenhou uma arma, uma bala e uma figura ensanguentada ao lado das palavras "Sangue por toda parte", "A minha vida é inútil" e "Os pensamentos venceram”.

Os pais de Ethan foram chamados à escola, nesse dia, e avisados de que o filho precisava de aconselhamento e que o deviam levar embora. Os pais, que inicialmente não queriam levar o filho para casa, levaram-no embora e recusaram-se a revistar a mochila. Poucas horas depois, o adolescente voltou para a escola com a arma oferecida no Natal e começou a disparar.

Para além de testemunhas, a acusação apresentou como prova uma mensagem de texto que Ethan enviou a um amigo em que dizia que tinha pedido ao pai para o levar ao médico, mas James Crumbley “deu-me uns comprimidos e disse-me para eu os engolir e aguentar”.

Em fevereiro, a mãe de Ethan também foi julgada e condenada pelas mesmas acusações. Ambos vão conhecer as sentenças no início de abril e podem ser condenados a pena de prisão até aos 15 anos.

Em 2022, Ethan Crumbley confessou ser culpado por quatro acusações de homicídio em primeiro grau e foi condenado a prisão perpétua sem poder sair em liberdade condicional.
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