Início em Itália do julgamento de alegados assassinos banqueiro Roberto Calvi

O julgamento dos presumíveis assassinos do banqueiro italiano Roberto Calvi começou hoje em Roma, mais de duas décadas depois do cadáver do banqueiro ter sido encontrado enforcado numa ponte londrina.

Agência LUSA /

O julgamento dos presumíveis assassinos do "banqueiro de Deus" decorreu sob fortes medidas de segurança, mas apenas por breves instantes, tendo sido adiado para 23 de Novembro, a pedido do advogado de Silvano Vittor, que acompanhou Roberto Calvi, em Londres, na qualidade de motorista e guarda-costas.

Entre as cinco pessoas que serão julgadas está Giuseppe "Pippo" Calo que, segundo a acusação, deu ordem para o assassínio de Calvi.

Os restantes réus são os empresários Ernesto Diotallevi e Flávio Carboni, bem como a ex-namorada deste último, Manuela Kleinszig, além de Silvano Vittor.

Carboni e Vittor foram as últimas pessoas a ver Calvi com vida antes de este ser encontrado morto, em Junho de 1982, pendurado pelo pescoço num pilar da ponte londrina de Blackfriar, com o fato cheio de pedras e dinheiro.

Hoje apenas Flávio Carboni, esteve presente no tribunal. Pippo Calo, detido na prisão Asconi Piceno de Palermo (Sicília) estava em contacto com o tribunal através de videoconferência. Em Itália, os acusados não são obrigados a assistir ao julgamento.

Todos os acusados, excepto Vittor, foram acusados em Abril.

Vittor foi notificado na semana passada para se apresentar em tribunal e o seu advogado Luigi Greco pediu um adiamento para se poder preparar.

Segundo a acusação, Carboni e Vittor deslocaram-se a Londres, com Calvi, para o entregarem às pessoas que o mataram.

A acusação afirma que Calvi, então com 62 anos, ex-presidente do Banco Ambrosiano, estava a fazer lavagem de dinheiro para a Máfia, e que Calo deu ordem para que o matassem porque os patrões da Máfia temiam que ele falasse.

Um ano antes de ser encontrado morto, Calvi foi detido no âmbito de um inquérito sobre a falência do banco, tendo depois sido libertado.

A gestão de Roberto Calvi à frente do Banco Ambrosiano - na altura o principal banco privado italiano - deixou um "buraco" de 1.400 milhões de dólares (quase 1.100 milhões de euros) e, nos cofres do Instituto para as Obras Religiosas (IOR) do Banco do Vaticano, o principal accionista, outro de cerca de 250 milhões de dólares (cerca de 192 milhões de euros).

Hoje em tribunal, Flávio Carboni considerou "absurda" a acusação de que terá "encomendado" a morte do banqueiro e insistiu em que não há provas contra ele, garantindo ainda que "tinha interesse em que Calvi vivesse".

Garantiu que Calvi se suicidou, mas afirmou: "Assassinado ou suicidado, para mim é igual, não tenho nenhuma responsabilidade" no sucedido.


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