Insónia duplica em Portugal durante a pandemia, revela inquérito

O confinamento domiciliário aumentou o distúrbio do sono e o peso, dos portugueses. A pandemia confinou milhões de pessoas em todo o mundo e consequentemente a vida quotidiana sofreu uma reviravolta. Portugal não fugiu à tendência. O estudo da DECO PROTESTE faz uma leitura comparada entre momentos pré-Covid e confinamentos. A taxa de portugueses com noites mal dormidas duplicou.

Carla Quirino - RTP /
Pedro A. Pina - RTP

Estar em casa, sozinho ou com toda a família, continuamente, mexeu com as rotinas de muitos portugueses. A amostra de 940 indivíduos, que foi inquirida sobre a qualidade do sono revela que, antes da pandemia, sete por cento de portugueses passavam as noites em claro. Com as incertezas da Covid-19 e o segundo confinamento a percentagem subiu para 17 por cento.

"A Covid-19 teve um impacto considerável na ansiedade dos portugueses, explica Bruno Santos, da DECO PROTESTE. Acrescenta que a quebra de rotinas sociais está a ter "efeitos a médio-prazo, entre os quais a diminuição da qualidade de sono das pessoas, atendendo ao aumento dos níveis de stress, às limitações de liberdade e às alterações constantes e necessárias ao combate da pandemia".

Em média, antes da pandemia, 71 por cento do inquiridos dizem que dormiam bem quase todas as noites. A partir do primeiro confinamento, são as mulheres que pior dormem comparadas com os homens.

O estudo indica que 49 por cento das mulheres dizem dormir a maioria das noites, mas os homens ultrapassam-nas por onze pontos, chegando aos 61 por cento com bom sono.

Dos dados do inquérito também se retém que não houve aumento de consumo de medicamentos para amenizar as insónias.

A privação do sono reflete-se no quotidiano, e mais uma vez são as mulheres que se destacam com a saúde mental abalada, com 60 por cento.

Os homens apresentam a mesma percentagem mas no campo inverso. 60 por cento responde que não sentiram qualquer mal-estar associado ao impacto da pandemia.

A variável que aproxima os números entre mulheres e homens é o aumento de peso. Das inquiridas, 61 por cento das mulheres e 55 por cento dos homens engordaram, sendo reflexo do somatório de menor atividade física, do frigorifico sempre à mão e algum desequilíbrio emocional, diz o estudo.
Brendan McDermid - Reuters

Da Escola de Medicina da Universidade de Stanford nos Estados Unidos chegam ecos sobre a pandemia ser o pano de fundo para a "tempestade perfeita para os distúrbios do sono". É destacado o stress provocado pelas rotinas diárias alteradas com os novos procedimentos em tempo de Covid-19.

"Podemos pensar nos problemas do sono como uma infeção" diz Donn Posner, clínico da universidade norte-americana, e acrescenta "mesmo em tempos normais, cerca de 30% a 35% da população sofre de insónia aguda ou de curto prazo".

A European Sleep Research Society, que desenvolve investigação sobre o sono na Europa, avança com alguns números sobre as queixas de noites mal dormidas em França e Itália.

Dos cerca de mil indivíduos franceses em análise, 74 por cento relataram ter problemas em dormir depois do aparecimento da pandemia. Antes da Covid-19, a taxa estava nos 49 por cento. As francesas revelaram sofrer mais que os homens, contabilizando 31 contra 16 por cento.

O impacto da pandemia também mexeu com o sono dos italianos, até porque, em março de 2020 a propagação das infeções quase fez colapsar o sistema de saúde do país.

Durante o confinamento domiciliário nesse período, os italianos roubaram ao sono, pelo menos uma hora para estarem nas redes sociais.

Na amostra de 1300 indivíduos, a maioria diz ter alterado bastante os ritmos do sono, deitando-se e acordando mais tarde.

A ansiedade e o stress pandémico para além de ter perturbado a quantidade do sono, o pouco que se dormiu foi assombrado com pesadelos retirando o bem-estar dos italianos, diz a investigação europeia.
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