Instagram vai alertar pais sobre pesquisas relacionadas a suicídio

Instagram vai alertar pais sobre pesquisas relacionadas a suicídio

A Meta, empresa que detém o Instagram, comunicou esta quinta-feira que a plataforma irá notificar os pais se os filhos adolescentes tentarem pesquisar de forma regular, termos relacionados a suicídio ou automutilação, num curto período.

Lusa /
Foto: Dado Ruvic - Reuters

No comunicado da Meta, a empresa justifica que os novos alertas foram “criados para fornecer aos pais as informações necessárias para apoiar os seus filhos adolescentes” e inclui ainda, recursos para auxiliar os pais a dialogarem com os filhos sobre temas mais delicados.

“Compreendemos a sensibilidade destas questões e o quanto pode ser angustiante para um pai ou mãe receber um alerta deste tipo. A grande maioria dos adolescentes não procura conteúdo relacionado com suicídio e automutilação no Instagram e, quando o fazem, a nossa política é bloquear essas pesquisas, direcionando-os para recursos e linhas de apoio que podem oferecer ajuda”, pode ler-se no comunicado.

A implementação irá começar na próxima semana nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Canadá
, como complemento ao instrumento já existente, que redireciona utilizadores para páginas de apoio.

Países europeus como Espanha, Grécia e Eslovênia afirmaram, nas últimas semanas, que estão a analisar a possibilidade de limitar o acesso das crianças à internet, segundo a Reuters. “O facto de a Meta agora ter incorporado essa funcionalidade é um avança significativo e representa o tipo de mudança que os especialistas em segurança infantil têm vindo a defender”, referiu o Sameer Hinduja, codiretor do Centro de Pesquisa sobre Cyberbullying.

Já a Molly Rose Foundation, a fundação britânica de prevenção ao suicídio, criticou as medidas mais recentes da Meta, alertando que estas “podem fazer mais mal do que bem”, segundo a BBC.

"Este anúncio desajeitado está repleto de riscos e estamos preocupados que as divulgações forçadas possam causar mais danos do que benefícios", disse Andy Burrows, diretor executivo da Molly Rose Foundation.

A Meta escreveu ainda, no mesmo comunicado, que embora possam “notificar os pais quando não houver motivo real para preocupação”, acreditam que este é “o ponto de partida correto” e que irão continuar a monitorizar e a ouvir os comentários para garantir que estão no caminho certo.
Como vão funcionar os alertas?
As tentativas de pesquisa que acionariam o alerta incluem frases-chave como " suicídio" ou " automutilação" ou termos que promovam essas atividades e que indiciem que os adolescentes se querem magoar.

Os alertas vão ser enviados aos pais via email, SMS ou WhatsApp, dependendo das informações de contacto disponíveis, acompanhados com uma notificação no próprio Instagram.

Os pais ainda irão ter acesso a uma opção de aceder a uma série de recomendações que os ajudem a abordar conversas delicadas com os filhos.

As "contas para adolescentes" do Instagram, destinadas a menores de 16 anos, precisam da permissão dos pais para alterar as configurações. CAIXA

Os governos estão cada vez mais empenhados em proteger as crianças de danos online, especialmente após as preocupações com o chatbot de IA Grok, que gerou imagens sexualizadas sem o seu consentimento.

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e o CEO do Instagram, Adam Mosseri, depuseram na semana passada, no tribunal dos EUA para defender a empresa contra acusações de que esta teria como alvos usuários jovens e que promoveria o vício nas redes sociais.

Em Portugal, a discussão sobre o acesso às redes sociais por menores de 16 anos ainda é um tema que causa discórdia entre os partidos.
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