Instituição luso-canadiana angaria 138 mil euros para financiar programas
Uma instituição de solidariedade social luso-canadiana angariou este sábado, na gala anual, mais de 200 mil dólares canadianos (138,5 mil euros) para apoiar portadores de deficiência.
"Esta noite é muito importante, porque angariámos uma grande parte dos fundos para os nossos programas de dia nos três centros, em Hamilton, Mississauga e em Toronto, que ajudam diariamente 200 famílias", disse à agência Lusa Jack Prazeres, presidente da Sociedade de Caridade Luso-Canadiana (Luso Canadian Charitable Society ou LCCS, na sigla inglesa).
A instituição, fundada em 2003, é um centro de apoio social sem fins lucrativos que presta assistência a portugueses e lusodescendentes portadores de deficiência.
Após a pandemia, a LCCS voltou a organizar a gala anual, que teve lugar no sábado à noite, no Pearson Convention Centre, em Brampton, e que juntou cerca de 800 convidados.
É com o valor angariado que a LCCS consegue "manter os programas", notou o dirigente.
"Temos um orçamento [anual] à volta dos três milhões de dólares [2,1 milhões de euros]. [Estes fundos angariados] são uma grande fração do que vai direto para os programas, sendo que 98% da verba angariada é destinada aos programas e dois por cento são utilizados para as pessoas que estão a organizar os programas", realçou.
Alguns dos utentes dispõem de um apoio do governo provincial, através do subsídio `Passport`, destinado a adultos com 18 ou mais anos, para participarem em atividades comunitárias, integrando-os de uma forma ativa na sociedade.
No entanto a LCCS pretende, num futuro próximo, abrir dois novos centros, para acolher famílias idosas com pessoas portadoras de deficiência, com uma parte dos donativos da gala, exceto os "bilhetes de entrada", a serem canalizados para "estes dois novos projetos" que têm um orçamento de 40 milhões de dólares canadianos (27,7 milhões de euros).
"Vamos ter [um novo centro noturno] em Hamilton com cerca de 50 unidades, com mais espaço para 70 ou 80 utentes para os programas diurnos. E vamos ter outro em Toronto, com 20 apartamentos, que dá para 28 utentes para ficarem 24 horas por dia", anunciou Jack Prazeres.
Espera-se que o centro em Hamilton fique operacional dentro de dois anos, enquanto o projeto de Toronto "deverá levar um pouco mais de tempo".
O dirigente enalteceu ainda a importância destes dois projetos para uma comunidade portuguesa que "está envelhecida".
"Quando temos reuniões com os pais, eles choram porque não sabem o que fazer com os filhos, quando eles não puderem tomar conta deles. Alguns pais já têm setenta e tal anos (...). O governo [provincial] tem uma lista de espera de cinco, seis, sete anos. Eles só sobem ao topo da lista quando os pais morrem. É triste, mas é a realidade e vamos fazer os possíveis para ajudar estes pais o mais rápido possível", concluiu.