Instituto identifica 13 mil comentários ofensivos contra candidaturas LGBT+
O Instituto Plena Cidadania identificou 13 mil comentários ofensivos nas redes sociais contra pessoas ou candidaturas LGBT+ nas eleições brasileiras, concentrados em mulheres e pessoas negras, com indícios de atuação coordenada.
«A gente está vendo que os ataques, vários desses ataques, são, no mínimo, coordenados. Alguns deles parecem automatizados», disse hoje à Lusa Gui Mohallem, da direção do instituto.
O levantamento foi realizado através da Sentinela, uma ferramenta desenvolvida pelo instituto que combina recolha automatizada de comentários nas redes sociais com inteligência artificial generativa para identificar episódios de violência política, os seus alvos e possíveis padrões de atuação coordenada e que agora deverá ser utilizado nas eleições do México e da Argentina.
De acordo com o levantamento, quatro candidaturas a deputada federal concentram 83% dos ataques identificados: Erika Hilton, Duda Salabert, Benny Briolly e Thabatta Pimenta.
Hilton, que procura a reeleição, é alvo de cerca de dois terços do total.
Segundo os resultados parciais do levantamento, 92,7% das agressões foram dirigidas a candidaturas de mulheres e 83,6% a candidaturas de pessoas negras.
O responsável levantou ainda a hipótese de os ataques estarem ligados a campanhas eleitorais financiadas com recursos públicos. «Se as pessoas estiverem envolvidas com outras campanhas, a gente está vendo financiamento público promovendo crime», afirmou.
«Transfobia é crime», lembrou.
Entre os autores de comentários classificados como ataques transfóbicos, a Sentinela identificou candidatos ligados aos partidos Novo, PSDB e Partido Liberal (PL).
Segundo Mohallem, o número de candidaturas LGBT+ mapeadas pelo instituto aumentou de pouco mais de 320, em 2022, para mais de 520 este ano, num contexto de diminuição do total de candidaturas no Brasil.
«A gente subiu no cenário que diminuiu», resumiu.
«A gente tem trabalhado na construção de uma infraestrutura democrática para que LGBTs ocupem um lugar de direito na política», afirmou o dirigente do instituto, responsável pelo VoteLGBT, que desde 2014 conecta o eleitorado a candidaturas LGBT+.
Para além da votação para Presidente, numa disputa entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, os eleitores vão ainda escolher 54 senadores (dois por cada estado), com dois votos por pessoa para candidatos diferentes, os 513 deputados federais e os deputados estaduais e distritais, numa eleição que vai moldar a composição do próximo Congresso que será decisiva para a capacidade de atuação do próximo Presidente.
MIM // RBF
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