Instituto prevê recorde de eleitos LGBT+ no Congresso brasileiro
O Instituto Plena Cidadania acredita que o Brasil vai eleger um número recorde de representantes LGBT+ para o Congresso nas eleições de domingo, passando dos atuais quatro para pelo menos nove.
«A nossa expectativa pro Congresso Nacional, hoje a gente tem quatro pessoas. A gente espera pelo menos ter nove», afirmou à Lusa à Lusa Gui Mohall, dirigente do instituto.
«Tem chance de chegar a doze», apostou.
O Instituto Plena Cidadania é responsável pelo VoteLGBT, uma iniciativa criada em 2014 para aproximar o eleitorado brasileiro de candidaturas LGBT+ comprometidas com os direitos humanos e a defesa da democracia.
Segundo Mohallem, o número de candidaturas LGBT+ mapeadas pelo instituto passou de pouco mais de 320, em 2022, para mais de 520 este ano, enquanto o total de candidaturas no Brasil diminuiu. «A gente subiu no cenário que diminuiu», resumiu.
Para o dirigente, este crescimento traduz uma mudança no significado de assumir publicamente uma identidade LGBT+ na disputa eleitoral.
«O que era antes uma desvantagem política, um suicídio político, está virando uma vantagem política», rejubilou-se.
O dirigente destacou também a possibilidade o facto de que os candidatos passaram a poder declarar a sua identidade de género e orientação sexual no registo oficial das candidaturas nas eleições de 2024, uma medida que considerou importante para dar maior visibilidade à participação LGBT+ na política brasileira.
«Nos últimos dois ciclos, as candidaturas LGBT receberam mais de 5 milhões de votos», afirmou Mohallem, antecipando agora no domingo um novo máximo de votação nestas eleições.
«A gente está prevendo um recorde inacreditável de votos nas lideranças», disse.
Para além da votação para Presidente, numa disputa entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, os eleitores vão ainda escolher 54 senadores (dois por cada estado), com dois votos por pessoa para candidatos diferentes, os 513 deputados federais e os deputados estaduais e distritais, numa eleição que vai moldar a composição do próximo Congresso que será decisiva para a capacidade de atuação do próximo Presidente.