Interpol desmantela rede de pornografia infantil
As autoridades policiais europeias anunciaram o desmantelamento de uma rede de pornografia infantil gerida a partir de Itália que tinha 2.500 clientes em vários países, no âmbito de uma operação que levou à detenção de 92 suspeitos.
Através de uma página na Internet, a rede vendia vídeos em que se viam menores a serem abusadas sexualmente, incluindo um com imagens de um belga a violar as filhas de nove e 11 anos, anunciaram em Haia (Holanda) os organismos europeus de coordenação da polícia (Europol) e de coordenação judiciária (Eurojust).
Os vídeos foram vendidos em pelo menos 18 países europeus e na Austrália e a lista de clientes incluía professores, médicos, advogados e peritos em informática.
Segundo o Eurojust, a investigação, denominada "Operação Koala", foi iniciada há 15 meses, e levou já à detenção de 40 pessoas no Reino Unido, 21 em França, 11 em Espanha, oito na Suécia, cinco na Bélgica, quatro em Itália, duas na Islândia e uma na Diamarca.
O alegado chefe da rede, o italiano Sergio Marzola, 42 anos, e o belga que violou as filhas menores foram detidos em 2006.
"As investigações vão prosseguir. Outras detenções seguir-se-ão", disse o presidente do Eurojust, Michael Kennedy.
"Preencher o espaço entre este número [lista de 2.500 clientes] e o número de detenções é uma questão de tempo", acrescentou.
O alegado chefe da rede foi detido em Ferrare, Itália, quando se preparava para partir para a Ucrânia, onde tem duas propriedades, e de onde são 21 das 23 menores identificadas pelas autoridades, com idades entre os 9 e os 16 anos.
A troco de 30 ou 40 euros e da promessa de uma lucrativa carreira no mundo da moda, o chefe da rede contratava os serviços das menores para sessões de fotografia no seu estúdio ucraniano.
Essas sessões tornavam-se cada vez mais explícitas e acabavam com o abuso sexual das menores.
Segundo a Europol, as outras vítimas são as duas menores belgas, cujo pai foi detido perto de Bruges, há um ano.
"Desta vez, não só o produtor das imagens foi detido como os consumidores", disse a procuradora belga Michele Coninsx, do Eurojust.
A investigação deve "dar um sinal bem claro a todos de que esta actividade é ilegal, inaceitável e revoltante", acrescentou Michele Coninsx.