Mundo
Interrogadores explicam métodos de tortura em Israel
Durante vários anos a ação das autoridades israelitas durante interrogatórios tem passado despercebida, devido ao trabalho conjunto para que informações sobre tortura não fossem passadas para fora. No entanto, nos últimos anos, muitos tem sido os interrogados que expõem as situações de tortura por que passam. As autoridades israelitas denominam estas ações de "meios especiais" e agora chegou a hora de um interrogador contar a sua versão da história.
Aqueles que foram interrogados durante anos contaram como tinham sido "obrigados" a dar informações que por vezes eram infundadas. Gritos nos ouvidos, ficar parado em posições desconfortáveis durante largos períodos, bofetadas e socos, eram alguns dos métodos para fazer os interrogados falar.
Agora, são alguns dos interrogadores a virem a público contar como era a sua ação numa sala de interrogatórios. Em investigação do Haaretz, um dos interrogadores, que manteve a sua identidade no anonimato, explicou que aquilo de que se queixavam várias pessoas é verdade.
Como membro da polícia israelita foi autorizado a utilizar “meios especiais” em interrogatório. No entanto, explica que a situação em nada se compara com o que acontece na prisão de Guantánamo. São usados apenas métodos que quebrem o espírito do detido, mas que não causem danos permanentes ou marcas no corpo.
A confissão de que técnicas de tortura são utilizadas nos interrogatórios levou a uma onda de indignação em Israel e advogados de defesa de vários queixosos revelaram que os seus clientes confessaram coisas que nunca tinham feito.

Foto: Reuters
Muitas das queixas prendem-se com a obrigação de ficar parado em posições desconfortáveis. Há relatos de pessoas que, sentadas em bancos, foram forçadas a manter uma posição inclinada com mãos e pés algemados. Devido à inclinação do corpo, muitos foram os que se queixaram de dores fortes nos músculos do estômago. Depois de caídos, ainda eram agredidos com socos.
Esta técnica de tortura foi confirmada pelo antigo agente israelita. Foi também explicado que muitas vezes os presos são obrigados a ficarem parados de joelhos e com as costas encostadas a uma parede durante várias horas.
Tortura legalizada para situações específicas
Para além de questões levantadas por organizações de direitos humanos sobre os métodos de tortura utilizados, também a mais alta instância de justiça de Israel decretou em 1999 que a tortura era proibida em ações perpetradas pelas polícias.
No entanto, as autoridades israelitas explicam que a mesma é autorizada em caso iminente de perigo, como acontece com o interrogatório com bombistas suicidas. Para outras situações é necessária a autorização de superiores. De acordo com o antigo interrogador israelita, caso as autoridades sintam que estes métodos podem salvar a população de ataques terroristas, então a tortura pode ser usada sem qualquer permissão.
A antiga autoridade disse ao Haaretz que os interrogadores estavam conscientes das dores que as técnicas de tortura causavam nos queixosos, já que também eles experimentaram as posições desconfortáveis a que são submetidas as pessoas detidas.

Foto: Reuters
De acordo com a publicação, a questão que se levanta é se estes métodos são eficazes e a resposta para a maioria deles é negativa. Veja-se o caso de Mohammed Khatib, um de vários detidos de um grupo do Hamas em 2014, alguns meses depois de uma célula do grupo ter raptado e assassinado três adolescentes israelitas.
Enquanto torturado, Khatib revelou que fazia parte do Hamas e que era próximo do seu líder. No entanto, veio a provar-se que o detido e a célula a que pertencia nada tiveram que ver com o rapto e assassinato dos jovens.
O interrogador que se manteve no anonimato concluiu que os interrogatórios não são apenas constituídos por perguntas e respostas e garante que são envidados esforços para obter informação dos suspeitos, não só de maneira verbal mas também física.
Agora, são alguns dos interrogadores a virem a público contar como era a sua ação numa sala de interrogatórios. Em investigação do Haaretz, um dos interrogadores, que manteve a sua identidade no anonimato, explicou que aquilo de que se queixavam várias pessoas é verdade.
Como membro da polícia israelita foi autorizado a utilizar “meios especiais” em interrogatório. No entanto, explica que a situação em nada se compara com o que acontece na prisão de Guantánamo. São usados apenas métodos que quebrem o espírito do detido, mas que não causem danos permanentes ou marcas no corpo.
A confissão de que técnicas de tortura são utilizadas nos interrogatórios levou a uma onda de indignação em Israel e advogados de defesa de vários queixosos revelaram que os seus clientes confessaram coisas que nunca tinham feito.
Foto: Reuters
Muitas das queixas prendem-se com a obrigação de ficar parado em posições desconfortáveis. Há relatos de pessoas que, sentadas em bancos, foram forçadas a manter uma posição inclinada com mãos e pés algemados. Devido à inclinação do corpo, muitos foram os que se queixaram de dores fortes nos músculos do estômago. Depois de caídos, ainda eram agredidos com socos.
Esta técnica de tortura foi confirmada pelo antigo agente israelita. Foi também explicado que muitas vezes os presos são obrigados a ficarem parados de joelhos e com as costas encostadas a uma parede durante várias horas.
Tortura legalizada para situações específicas
Para além de questões levantadas por organizações de direitos humanos sobre os métodos de tortura utilizados, também a mais alta instância de justiça de Israel decretou em 1999 que a tortura era proibida em ações perpetradas pelas polícias.
No entanto, as autoridades israelitas explicam que a mesma é autorizada em caso iminente de perigo, como acontece com o interrogatório com bombistas suicidas. Para outras situações é necessária a autorização de superiores. De acordo com o antigo interrogador israelita, caso as autoridades sintam que estes métodos podem salvar a população de ataques terroristas, então a tortura pode ser usada sem qualquer permissão.
A antiga autoridade disse ao Haaretz que os interrogadores estavam conscientes das dores que as técnicas de tortura causavam nos queixosos, já que também eles experimentaram as posições desconfortáveis a que são submetidas as pessoas detidas.
Foto: Reuters
De acordo com a publicação, a questão que se levanta é se estes métodos são eficazes e a resposta para a maioria deles é negativa. Veja-se o caso de Mohammed Khatib, um de vários detidos de um grupo do Hamas em 2014, alguns meses depois de uma célula do grupo ter raptado e assassinado três adolescentes israelitas.
Enquanto torturado, Khatib revelou que fazia parte do Hamas e que era próximo do seu líder. No entanto, veio a provar-se que o detido e a célula a que pertencia nada tiveram que ver com o rapto e assassinato dos jovens.
O interrogador que se manteve no anonimato concluiu que os interrogatórios não são apenas constituídos por perguntas e respostas e garante que são envidados esforços para obter informação dos suspeitos, não só de maneira verbal mas também física.