Mundo
Intervenção militar na Líbia "nas próximas horas"
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a zona de exclusão aérea na Líbia. Foram aprovadas também “todas as medidas necessárias” – também incluída a ação militar - para proteger os civis e impor o cessar-fogo às forças de Kadhafi. Na cidade de Benghazi, o bastião dos rebeldes no leste do país, as deliberações da ONU foram celebradas com tiros para o ar e foguetes.
Após a votação, o filho do líder líbio reagiu, em declarações à televisão Al-Arabyia, dizendo que o regime não teme a resolução 1973, mas manifestou disponibilidade para acatar um cessar-fogo e dialogar com a oposição. Apesar desta declaração, a Reuters e a France-Press dão conta de bombardeamentos à cidade rebelde de Misurata.
O exército leal a Kadhafi cercou a cidade de Benghazi e diz dispor de forças “anti-terrorismo” para desarmar os rebeldes, anunciou o filho de Kadhafi à Al-Jazeera, acrescentando que, por outro lado, tem elementos para prestar assistência a quem quiser sair da cidade.
"Estamos no nosso país e com o nosso povo. E nós não temos medo", afirmou o filho de Kadhafi desde Tripoli à emissão da televisão norte-americana ABC News Nightline. "Não temos medo. Venham. Não temos medo. Não vão ajudar o povo se bombardearem a Líbia para matar os líbios. Vocês vão destruir o nosso país. Ninguém ficará feliz com isso", afirmou o filho do líder líbio.
Os rebeldes pretendem que a exclusão seja apenas em áreas controladas por Khadafi. Logo após a aprovação da resolução, os rebeldes declararam que os militares de Kadhafi "deixaram de estar seguros" com a autorização do uso de força contra alvos do regime, declarava o representante adjunto da Líbia na ONU, ligado à oposição.
Kadhafi não reconhece mandato a Conselho de Segurança da ONU
Apesar de Kadhafi declarar a inexistência de um “mandato” do Conselho de Segurança das Nações Unidas, motivo pelo qual não reconhece “tais decisões ou resoluções” sobre a Líbia, as forças leais ao regime prometeram suspender as ações bélicas, logo após a aprovação da resolução, ontem à noite, em Nova Iorque.
“Seria uma flagrante colonização, sem qualquer justificação. Claro que terá repercussões muito sérias e graves se vierem ocupar-nos, invadir-nos e colonizar-nos. Estávamos em paz e agora querem-nos levar de ataque militar em ataque militar. É um disparate, é uma loucura. Se o mundo agir como louco nós faremos o mesmo (…) Vamos responder-lhes, vamos ripostar. Também vamos fazer a vida deles num inferno. Nunca terão paz”, declarava Kadhafi, ainda antes da votação, ao enviado da RTP, Paulo Dentinho.
O ministro da Defesa avisa que qualquer fornecimento de armas aos rebeldes vai provocar uma guerra mesmo para além das suas fronteiras. No entanto, a oposição refere que só negoceia quando Kadhafi abandonar o poder.
Outra das reações líbias, logo após a votação em Nova Iorque, foi a do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros. Khaled Kaaim anunciava disponibilidade para um cessar-fogo com os rebeldes, mas quer antes discutir os detalhes da sua implementação. Pouco antes, Kaaim considerava a resolução como um "apelo a que os líbios se matem uns aos outros".
França anuncia intervenção “nas próximas horas”
A resolução da ONU interdita o sobrevoo do território a aparelhos civis e militares com exceção de aviões humanitários. Também permite qualquer ação, incluindo a militar, considerada necessária para garantir a segurança dos cidadãos líbios e alarga as sanções impostas a Kadhafi e seus próximos no mês passado. Entre as organizações com os bens congelados está o banco central da Líbia e a companhia nacional de petróleo.
As medidas foram aprovadas por 10 dos 15 membros do conselho de segurança das Nações Unidas, incluindo Portugal, e cinco países abstiveram-se (Rússia, China, Alemanha, Brasil e Índia). Não foram registados votos contra a resolução patrocinada pela França, Reino Unido, Líbano e Estados Unidos.
Entre as declarações de voto, a embaixadora do Brasil junto das Nações Unidas, Maria Luiza Ribeiro Viotti, considerou que o uso da força pode exacerbar intervenções no terreno e acabar por prejudicar aqueles que visa proteger.
Também a Alemanha referiu que uma ação militar contra Kadhafi pode acarretar “significativos riscos e perigos”. O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros garantiu que os seus militares “não participarão numa operação militar na Líbia”.
Por outro lado, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros fez saber que a iniciativa militar contra a Líbia será já “nas próximas horas”. Em declarações à rádio RTL, a intervenção militar "não é uma ocupação do território", mas um "dispositivo de natureza militar para proteger o povo" e permitir-lhe atingir a liberdade, com a "queda do regime de Kadhafi". Ainda segundo o porta-voz do executivo, François Baroin, a França “vai participar” na ação autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU.
Do mesmo modo, um porta-voz do Pentágono garantia que os EUA têm meios militares no Mediterrâneo suficientes para uma intervenção de imediato. O presidente dos EUA telefonou aos homólogos francês e britânico para garantir a continuidade da coordenação dos movimentos militares e o reforço das resoluções sobre a Líbia.
Também a Noruega fez saber que irá participar numa força militar internacional contra o regime líbio, mas a ministra Grete Faremo considera “ser demasiado cedo para dar detalhes”, embora uma intervenção aérea seja mais “natural”.
O presidente dos EUA telefonou aos homólogos francês e britânico para garantir a continuidade da coordenação dos movimentos militares e o reforço das resoluções sobre a Líbia.
Portugal votou a favor da resolução mas não participa na operação militar
Portugal "não vai ter nenhuma participação militar" na Líbia, mas pode participar na "dimensão humanitária", tendo em conta o elevado número de deslocados no país, afirmou esta manhã o ministro português dos Negócios Estrangeiros.
Ontem, o ministro Luís Amado reafirmou que, na avaliação da comunidade internacional, o regime líbio de Khadafi "acabou" e será votado ao isolamento.
"Do ponto de vista da comunidade internacional e da avaliação que faz, o regime de Trípoli acabou. A sua relação com a comunidade internacional será de progressivo isolamento, de total isolamento no futuro", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros português.
"Nunca dissemos que o problema não deveria passar por condições para um diálogo nacional que envolvesse todas as partes do conflito e que pudesse gerar estabilidade, coesão e unidade territorial de todo o país", acrescentou.
Mais tarde, em Nova Iorque, o embaixador português na ONU votou a favor da resolução patrocinada pelos EUA, França e Reino Unido. José Filipe Moraes Cabral justificou o sentido de voto com a continuidade de ataques a civis pelo regime após a aprovação da última resolução (1970) do Conselho de Segurança.
Na entrevista à RTP, Muammar Kadhafi afirmou que ainda considera Portugal um amigo e que as declarações da diplomacia portuguesa podem ser interpretadas como uma submissão à “propaganda”. Sobre a posição da União Europeia, Kadhafi classifica-a de “desilusão” e traição.
O exército leal a Kadhafi cercou a cidade de Benghazi e diz dispor de forças “anti-terrorismo” para desarmar os rebeldes, anunciou o filho de Kadhafi à Al-Jazeera, acrescentando que, por outro lado, tem elementos para prestar assistência a quem quiser sair da cidade.
"Estamos no nosso país e com o nosso povo. E nós não temos medo", afirmou o filho de Kadhafi desde Tripoli à emissão da televisão norte-americana ABC News Nightline. "Não temos medo. Venham. Não temos medo. Não vão ajudar o povo se bombardearem a Líbia para matar os líbios. Vocês vão destruir o nosso país. Ninguém ficará feliz com isso", afirmou o filho do líder líbio.
Os rebeldes pretendem que a exclusão seja apenas em áreas controladas por Khadafi. Logo após a aprovação da resolução, os rebeldes declararam que os militares de Kadhafi "deixaram de estar seguros" com a autorização do uso de força contra alvos do regime, declarava o representante adjunto da Líbia na ONU, ligado à oposição.
Kadhafi não reconhece mandato a Conselho de Segurança da ONU
Apesar de Kadhafi declarar a inexistência de um “mandato” do Conselho de Segurança das Nações Unidas, motivo pelo qual não reconhece “tais decisões ou resoluções” sobre a Líbia, as forças leais ao regime prometeram suspender as ações bélicas, logo após a aprovação da resolução, ontem à noite, em Nova Iorque.
“Seria uma flagrante colonização, sem qualquer justificação. Claro que terá repercussões muito sérias e graves se vierem ocupar-nos, invadir-nos e colonizar-nos. Estávamos em paz e agora querem-nos levar de ataque militar em ataque militar. É um disparate, é uma loucura. Se o mundo agir como louco nós faremos o mesmo (…) Vamos responder-lhes, vamos ripostar. Também vamos fazer a vida deles num inferno. Nunca terão paz”, declarava Kadhafi, ainda antes da votação, ao enviado da RTP, Paulo Dentinho.
O ministro da Defesa avisa que qualquer fornecimento de armas aos rebeldes vai provocar uma guerra mesmo para além das suas fronteiras. No entanto, a oposição refere que só negoceia quando Kadhafi abandonar o poder.
Outra das reações líbias, logo após a votação em Nova Iorque, foi a do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros. Khaled Kaaim anunciava disponibilidade para um cessar-fogo com os rebeldes, mas quer antes discutir os detalhes da sua implementação. Pouco antes, Kaaim considerava a resolução como um "apelo a que os líbios se matem uns aos outros".
França anuncia intervenção “nas próximas horas”
A resolução da ONU interdita o sobrevoo do território a aparelhos civis e militares com exceção de aviões humanitários. Também permite qualquer ação, incluindo a militar, considerada necessária para garantir a segurança dos cidadãos líbios e alarga as sanções impostas a Kadhafi e seus próximos no mês passado. Entre as organizações com os bens congelados está o banco central da Líbia e a companhia nacional de petróleo.
As medidas foram aprovadas por 10 dos 15 membros do conselho de segurança das Nações Unidas, incluindo Portugal, e cinco países abstiveram-se (Rússia, China, Alemanha, Brasil e Índia). Não foram registados votos contra a resolução patrocinada pela França, Reino Unido, Líbano e Estados Unidos.
Entre as declarações de voto, a embaixadora do Brasil junto das Nações Unidas, Maria Luiza Ribeiro Viotti, considerou que o uso da força pode exacerbar intervenções no terreno e acabar por prejudicar aqueles que visa proteger.
Também a Alemanha referiu que uma ação militar contra Kadhafi pode acarretar “significativos riscos e perigos”. O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros garantiu que os seus militares “não participarão numa operação militar na Líbia”.
Por outro lado, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros fez saber que a iniciativa militar contra a Líbia será já “nas próximas horas”. Em declarações à rádio RTL, a intervenção militar "não é uma ocupação do território", mas um "dispositivo de natureza militar para proteger o povo" e permitir-lhe atingir a liberdade, com a "queda do regime de Kadhafi". Ainda segundo o porta-voz do executivo, François Baroin, a França “vai participar” na ação autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU.
Do mesmo modo, um porta-voz do Pentágono garantia que os EUA têm meios militares no Mediterrâneo suficientes para uma intervenção de imediato. O presidente dos EUA telefonou aos homólogos francês e britânico para garantir a continuidade da coordenação dos movimentos militares e o reforço das resoluções sobre a Líbia.
Também a Noruega fez saber que irá participar numa força militar internacional contra o regime líbio, mas a ministra Grete Faremo considera “ser demasiado cedo para dar detalhes”, embora uma intervenção aérea seja mais “natural”.
O presidente dos EUA telefonou aos homólogos francês e britânico para garantir a continuidade da coordenação dos movimentos militares e o reforço das resoluções sobre a Líbia.
Portugal votou a favor da resolução mas não participa na operação militar
Portugal "não vai ter nenhuma participação militar" na Líbia, mas pode participar na "dimensão humanitária", tendo em conta o elevado número de deslocados no país, afirmou esta manhã o ministro português dos Negócios Estrangeiros.
Ontem, o ministro Luís Amado reafirmou que, na avaliação da comunidade internacional, o regime líbio de Khadafi "acabou" e será votado ao isolamento.
"Do ponto de vista da comunidade internacional e da avaliação que faz, o regime de Trípoli acabou. A sua relação com a comunidade internacional será de progressivo isolamento, de total isolamento no futuro", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros português.
"Nunca dissemos que o problema não deveria passar por condições para um diálogo nacional que envolvesse todas as partes do conflito e que pudesse gerar estabilidade, coesão e unidade territorial de todo o país", acrescentou.
Mais tarde, em Nova Iorque, o embaixador português na ONU votou a favor da resolução patrocinada pelos EUA, França e Reino Unido. José Filipe Moraes Cabral justificou o sentido de voto com a continuidade de ataques a civis pelo regime após a aprovação da última resolução (1970) do Conselho de Segurança.
Na entrevista à RTP, Muammar Kadhafi afirmou que ainda considera Portugal um amigo e que as declarações da diplomacia portuguesa podem ser interpretadas como uma submissão à “propaganda”. Sobre a posição da União Europeia, Kadhafi classifica-a de “desilusão” e traição.