Inundações em França. Terceiro departamento em alerta vermelho

Inundações em França. Terceiro departamento em alerta vermelho

A região de Maine-et-Loire foi colocada em alerta vermelho devido às inundações, juntando-se a Gironde e Lot-et-Garonne, em alerta máximo desde a passada quinta-feira.

RTP /
Stephane Mahe - Reuters

Quase 1.600 pessoas foram retiradas das regiões de Gironde e Lot-et-Garonne, habituados a cheias, mas agora confrontados com um episódio descrito por muitos moradores como “histórico”, segundo a agência AFP.

A região de Angers e os seus vales mais baixos enfrentam o risco de “grandes inundações” do Rio Maine já esta terça-feira, segundo o instituto Vigicrues- serviço oficial de informação sobre risco de inundações em França.

No passado fim de semana, cerca de 900 pessoas foram instadas a abandonar as suas casas em Maine-et-Loire, enquanto várias ruas e parques de estacionamento ao ar livre seriam encerrados preventivamente.

O Rio Garonne, sob alerta vermelho há cinco dias, transbordou entre o norte de Agen e o sul de Bordéus, inundando várias centenas de metros. Apesar de ter começado a baixar “muito ligeiramente e lentamente”, as autoridades alertam para possíveis “recuperações” nos próximos dias segundo o jornal francês Le Monde.Em Agen, o nível atingiu 6,40 metros; em Tonneins, 9,06; e em Marmande, 9,58 metros.

No departamento de Lot-et-Garonne, oito diques foram danificados ou submersos, gerando forte apreensão.

“A situação é urgente. Os agricultores e moradores locais sabem como reconstruir esses diques e devem fazê-lo o mais rápido possível”, declarou Karine Duc, presidente da Câmara Agrícola local, que pediu ainda autorização para intervir e a mobilização do “exército” para “limpar e remover o entulho”.

Entretanto, Angers e os seus vales mais baixos enfrentam o risco de “grandes inundações” do rio Maine já na terça-feira, segundo o instituto Vigicrues- serviço oficial de previsão de inundações em França.No passado fim de semana, cerca de 900 pessoas foram instadas a abandonar as suas casas em Maine-et-Loire, enquanto várias ruas e parques de estacionamento ao ar livre serão encerrados preventivamente.

O Governo francês anunciou que o estado de calamidade pública será declarado “no final do episódio de inundações”.
“Coragem e paciência”
No sudoeste do país, quase toda a região permanece sob alerta laranja. A Météo-France prevê entre 30 e 50 mm de chuva nos Pirenéus, podendo atingir localmente 70 a 100 mm nas zonas mais elevadas. Nas encostas e planícies, os valores deverão variar entre 20 e 40 mm. A estes números soma-se o risco de degelo, estimado em mais 30 mm- ou até 40 a 50 mm na região de Ariège- aumentando a pressão sobre rios já saturados, segundo o jornal francês Le Monde.

As consequências são visíveis nas infraestruturas. Na região de Landes, ainda sob alerta laranja, 11 mil casas continuam sem eletricidade, embora o número tenha baixado significativamente face às 109 mil afetadas na quinta-feira, aquando da passagem da Tempestade Nils.

“Coragem e paciência. As equipas da Enedis (serviço de eletricidade) estão a caminho”, apelou Gilles Clavreul, presidente do departamento, recusando avançar prazos. “Preferimos não assumir compromissos de longo prazo”, referiu.No total, cerca de 35 mil casas permanecem sem energia desde quarta-feira e 21 mil estão sem acesso à internet, segundo dados da Orange e da Enedis divulgados pela AFP.


Em Charente-Maritime, na cidade de Saintes, o Rio Charente inundou cerca de 30 ruas. A autarquia instalou passadiços de madeira para garantir a circulação pedonal. O pico é esperado a meio da semana, sem ultrapassar o recorde histórico de 1982, segundo o presidente da câmara, Bruno Drapon.

Ao todo, 14 departamentos estão sob alerta laranja para risco de cheias, enquanto Ariège, Haute-Garonne, Pyrénées-Atlantiques e Hautes-Pyrénées enfrentam risco de fortes chuvas e inundações.

Oito departamentos nos Alpes e nos Pirenéus estão ainda sob alerta devido ao perigo de avalanches.Os departamentos de Ardèche, Drome, Gard, Vaucluse, Bouches-du-Rhône e Var são os únicos que não existe qualquer alerta, não sendo necessária nenhuma vigilância especial.

Para os especialistas, estes episódios extremos refletem uma tendência preocupante. Segundo a AFP, os cientistas do IPCC- Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas alertam que as chuvas serão cada vez mais frequentes e intensas devido às alterações climáticas.

“Estatisticamente, estamos a viver o que será o futuro, ou seja, invernos mais chuvosos e, portanto, mais inundações”, sublinha Pierre Brigode, hidrólogo da Universidade em França.

Enquanto os níveis das águas descem apenas “temporariamente”, as autoridades alertam para novas chuvas que podem provocar “uma nova subida dos níveis” dos rios em todo o sudoeste, até terça-feira.
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