Inundações matam mais de 170 pessoas no leste da RDCongo - relatório oficial
A República Democrática do Congo (RDCongo) foi atingida na quinta-feira à noite por inundações que causaram mais de 170 mortos em Kivu do Sul, no leste, de acordo com um relatório oficial provisório divulgado hoje.
"Acabámos de fazer a contagem, temos cerca de 176 mortos", destacou aos jornalistas Théo Ngwabije, governador daquela província, que visitou o local do desastre.
"É um balanço que é provisório (...), também temos uma centena de desaparecidos", acrescentou o governador, que falava a partir do hospital de Ihusi, capital do território de Kalehe afetado pelas cheias, citado pela agência France-Presse (AFP).
Este desastre ocorre dois dias depois de fortes chuvas que também causaram mortos no Ruanda, vizinha da RDCongo.
Várias aldeias no território de Kalehe, a oeste do Lago Kivu, que marca a fronteira entre a RDCongo e o Ruanda, ficaram submersas quando os rios transbordaram, detalhou Archimedes Karhebwa, administrador adjunto daquela região.
Centenas de casas ficaram destruídas, campos devastados e a água até "surpreendeu os vendedores e os clientes nos mercados", acrescentou.
"A chuva começou por volta das 17:00 [de quinta-feira] e depois o rio levou os aldeões. Perdi o meu pai, a minha mãe e também 11 crianças que estavam em minha casa", contou Innocent Mupenda, relator para a sociedade civil dos Mbinga-Sud.
Já o deputado Vital Muhini, autarca de Kalehe, referiu à rádio Okapi Bukavu que existem "danos devastadores, humanos e materiais".
Segundo o administrador adjunto do território, esta "é a quarta vez que tais danos são causados pelos mesmos rios (...), não se passam dez anos sem que causem enormes prejuízos".
A aldeia de Bushushu, em particular, foi devastada em 2014 por chuvas torrenciais que deixaram dezenas de pessoas desaparecidas.
Depois das calamidades anteriores, "foram feitos estudos, foi pedido que se deslocassem as pessoas ribeirinhas", recordou Karhebwa.
Estes danos, acrescentou, devem-se em parte a "um processo natural além do controlo do homem", mas também estão ligados "ao desmatamento, que contribui para as alterações climáticas".
"Lançamos um alerta às pessoas de boa vontade para ajuda humanitária urgente", nomeadamente para enterrar os corpos, frisou.
Inundações e deslizamentos de terra causados por chuvas sazonais torrenciais mataram pelo menos 130 pessoas no Ruanda, num dos piores desastres do país nos últimos anos.
A África Oriental sofre regularmente inundações durante as estações de chuva, sendo que a sua intensidade e frequência deve continuar a aumentar com as alterações climáticas, de acordo com especialistas em meteorologia.
No início de abril, um deslizamento de terra causado pela chuva matou cerca de vinte pessoas em Kivu do Norte, uma província congolesa vizinha de Kivu do Sul.
Inundações menores também são relatadas no restante da República Democrática do Congo, um país enorme que se estende a oeste até à costa atlântica.
Em Kikwit, por exemplo, capital da província de Kwilu (oeste), uma cheia provocada pela subida do rio Kwilu matou duas pessoas, segundo a sociedade civil, e provocou danos materiais no porto, onde estavam toneladas de milho e mandioca.
Em dezembro, mais de 120 pessoas morreram na capital Kinshasa em inundações e deslizamentos de terra causados por chuvas torrenciais.