Investigação a jogo ilegal em Oecussi está quase concluída
A investigação sobre atividades de exploração de jogo ilegal e burla informática na região de Oecussi, em Timor-Leste, está quase concluída, afirmou hoje o diretor da Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC) de Timor-Leste, Vicente Fernandes Brito.
"Relativamente aos jogos ilícitos `online` em Oecussi, o processo está praticamente concluído. Podemos dizer que está cerca de 70% finalizado", declarou aos jornalistas, após participar no 26.º aniversário da Comissão Anticorrupção, em Díli.
Vicente Fernandes Brito explicou que, neste momento, está a decorrer a fase de prova digital ou prova eletrónica.
"O processo de investigação do caso de crime `online` está a ser realizado em cooperação com parceiros internacionais, como a INTERPOL e outros países. Isto não é uma brincadeira", afirmou Vicente Fernandes Brito.
O responsável disse também que a investigação é complexa, devido ao volume de dados e às diversas análises necessárias.
Questionado sobre a eventual continuação dos jogos ilícitos `online`, o diretor nacional disse que já não existem.
"Em conjunto com os serviços de inspeção de jogos, continuamos a realizar patrulhas e controlos permanentes para supervisão e observação e, segundo os serviços de informação, já não existem. O Conselho de Ministros já decidiu encerrar definitivamente esta atividade", concluiu Vicente Fernandes Brito.
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alertou em setembro para a proliferação de redes criminosas em Oecussi, enclave timorense no lado indonésio da ilha de Timor, salientando que as recentes investigações mostram uma contaminação da região.
O documento da UNODC foi divulgado após uma investigação das autoridades timorenses que resultou na detenção de 10 pessoas por suspeita de envolvimento em atividade de exploração de jogos ilícitos e de burla informática em Oecussi.
No mesmo relatório, a UNODC afirma também que uma pessoa "que ocupa um cargo no governo de Timor-Leste" é um dos donos de um hotel que "parece acolher empresas" com atividade criminosa.
Na sequência daquela denúncia pública, o Governo timorense determinou cancelar as licenças concedidas para exploração de jogos e apostas `online`, bem como proibir a atribuição de novas licenças, devido a riscos para a segurança e estabilidade social.
Em dezembro, as autoridades timorenses encerraram a casa de jogos Lotaria Dragon, em Díli, bem como os escritórios da empresa Capital Ventures Timor por suspeita de jogo ilegal.
O deputado da Fretilin, Florentino Ximenes Sinarai, desafiou a semana passado o Governo e as autoridades policiais a processarem os autores e criminosos descritos no relatório das Nações Unidas de forma rigorosa, transparente e íntegra, sem ocultar provas relativas ao eventual envolvimento de figuras importantes em Timor-Leste.
A bancada da Fretilin solicitou também às autoridades que iniciem investigações sobre o possível envolvimento de autoridades reguladoras e os serviços de Imigração, que poderão ter utilizado estruturas do Estado para facilitar negócios ilícitos de máfias asiáticas em Timor-Leste.
No relatório da UNODC, as Nações Unidas afirmam que "os criminosos exploram o programa de cidadania através de investimento para obter múltiplos passaportes, utilizando-os para facilitar as suas operações e fugir às autoridades", acrescentando que "esta atividade se torna ainda mais fácil com a obtenção fraudulenta de passaportes".
O mesmo relatório alerta ainda que, depois de uma região ser infiltrada por criminosos digitais, "frequentemente transforma-se num centro de fraude cibernética e de tráfico de droga e de pessoas".