Investigação aos atentados em Timor-Leste avança com quatro mandados de captura

A investigação aos dois atentados em Timor-Leste a Ramos-Horta e Xanana Gusmão já começaram a dar resultados com o relatório preliminar a pedir à Procuradoria-Geral da República (PGR) a emissão de quatro mandados de captura.

RTP /
Já são procurados os autores dos atentados em Timor-Leste Made Nagi, EPA

É o primeiro desenvolvimento à investigação que foi iniciada logo após os dois atentados aos principais políticos de Timor-Leste. O relatório preliminar pede à PGR a emissão de quatro mandatos de captura que permitirão dar início a uma operação que deverá ser desencadeada pelas forças de segurança, incluindo a Polícia das Nações Unidas e a Polícia Nacional e que levará à prisão dos suspeitos.

O comandante interino da Polícia da ONU (UNPol) em Timor-Leste, Hermanprit Singh, anunciou que duas equipas de investigação interrogaram onze testemunhas e que foram emitidos quatro mandados de captura relacionados com o duplo atentado.

Segundo revelou ainda Hermanprit Singh as duas equipas de investigação, que integram elementos da polícia das Nações Unidas e da Polícia Nacional de Timor-Leste, recolheram também "vários documentos e apreenderam vários cartões de telemóvel".

Atul Khare, representante especial do secretário-geral das Nações Unidas em Timor-Leste, esteve na mesma conferência de imprensa e considerou que a chegada ao país de um contingente australiano que inclui elementos da polícia irá "contribuir decerto para o progresso da investigação".

Avança Comissão Internacional

Entretanto, o presidente do Parlamento timorense, Fernando "La Sama" de Araújo, que se encontrava em Portugal no dia dos atentados, vai assumir nas próximas horas a presidência interina do país e já determinou a constituição de uma comissão internacional para investigar os atentados da passada segunda-feira.

Fernando "La Sama" de Araújo já confirmou essa informação à agência LUSA a quem adiantou ainda que pretende que a GNR faça parte dessa comissão tendo mesmo falado em Lisboa com o comandante-geral da GNR, a força que possui uma unidade de investigação para estes casos, a quem pediu apoio.

Também o chefe da missão da ONU em Timor-Leste, Atul Khare, é a favor de uma comissão internacional se as “autoridades timorenses fizerem esse pedido”.

“Como pessoa que sempre defendeu a transparência e a responsabilização, sempre fui, em todas as circunstâncias, a favor de uma comissão internacional independente de inquérito", declarou Atul Khare na sua primeira conferência desde os atentados contra o presidente e primeiro-ministro timorenses.

”No entanto, em vez de pedirmos uma comissão de inquérito nova aos incidentes de segunda-feira, que eu também apoio, podemos implementar até ao fim as recomendações da Comissão Independente Especial de Inquérito” aos acontecimentos de 2006, referiu.

”Embora tenha havido progressos, ainda há muitas recomendações que precisam de ser aplicadas e devia haver esforços renovados para a sua concretização completa", acrescentou o chefe da Missão Integrada da ONU em Timor-Leste (UNMIT).


Foto:Antonio Disaparu, EPA

Em Timor-Leste, apesar de reinar a calma, o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, propôs hoje ao Presidente da República interino o prolongamento do estado de sítio.

O pedido seguiu para o Parlamento nacional de Timor-Leste que aprovou esse prolongamento do estado de sítio com recolher obrigatório por mais 10 dias com 44 deputados presentes, entre os 65 eleitos, 30 a votarem a favor e 14 a absterem-se.

Votaram a favor todas as bancadas parlamentares, excepto a Fretilin e o Partido de Unidade Nacional.

Tudo indica que esta solicitação de Xanana Gusmão e posterior aprovação do Parlamento servirá como prevenção a possíveis desacatos com a realização amanhã do funeral do Major Reinado.

Entretanto, o caixão com o corpo do major Alfredo Reinado foi transportado já hoje para a casa do seu pai adoptivo, Vítor Alves, em Díli, onde se encontram centenas de pessoas.

Também hoje e igualmente para a casa de Vítor Alves foi transportado o caixão com o corpo de Leonardo, um elemento do grupo de Reinado que também foi abatido durante o ataque à residência de Ramos-Horta.

O funeral do major Alfredo Reinado realiza-se amanhã, em Díli, e tudo indica será enterrado no quintal da casa do seu pai adoptivo no bairro Marconi.
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