Investigação conclui que Exército indonésio matou jornalistas em 1975
As provas apresentadas no tribunal que investiga a morte de Brian Peters, um dos cinco jornalistas mortos em Timor-Leste há mais de 30 anos, demonstraram que todos eles foram assassinados pelo Exército indonésio, disse hoje o advogado Mark Tedeschi, conselheiro da investigação.
Citado pela imprensa australiana, Tedeschi explicou ao tribunal de Sidney que os jornalistas tentaram entregar-se às tropas do capitão Yunus Yosfiah, numa praça da localidade de Balibó, próximo da fronteira com a Indonésia, em Outubro de 1975.
O militar, porém, ordenou aos seus homens que disparassem sobre os cinco jornalistas, acrescentou.
"Yosfiah também disparou contra os jornalistas", acrescenta Tedeschi nas suas conclusões, baseadas nas provas apresentadas pela investigação, iniciada em Fevereiro último e apresentadas ao tribunal presidido pela juíza Dorelle Pinch.

Além do jornalista português Adelino Gomes, que não foi apanhado pelas tropas de Jacarta, os britânicos Brian Peters e Malcolm Rennie, os australianos Greg Shackleton e Tony Stewart e o neozelandês Gary Cunningham foram os únicos profissionais da comunicação social estrangeiros que estavam em Timor-Leste no início da invasão indonésia.

Oficialmente, a Indonésia defendeu sempre que os cinco jornalistas foram apanhados no meio de fogo cruzado entre o Exército de Jacarta indonésio e os independentistas timorenses em Balibó, onde começou a invasão.
A versão foi desmentida durante a investigação, disse Tedeschi, "graças ao testemunho de vários indonésios, timorenses e australianos".
"Em Outubro de 1975, o governo indonésio e os chefes militares sabiam bem que qualquer informação que aparecesse na imprensa sobre a participação de soldados indonésios nos ataques na fronteira com Timor-Leste levariam a Austrália a objectar formalmente", argumentou.
Tedeschi acusou os governantes indonésios de "terem entrado num magistral jogo de poderes, utilizando os líderes e funcionários australianos como peões".
As testemunhas, assim como as famílias dos jornalistas mortos e o actual Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disseram que os cinco homens, que morreram desarmados, foram brutalmente assassinados pelos militares indonésios.
A antiga colónia portuguesa foi formalmente anexada pela Indonésia em 1976.
Em 1999, Timor-Leste levou a cabo um referendco de autodeterminação, conseguindo obter a vitória do "sim" à independência.
No entanto, Jacarta só viria a retirar-se do país após a onda de violência que se registou antes e depois do referendo, incidentes que destruíram quase todas as infra-estruturas do território, o que forçou a entrada de tropas das Nações Unidas.