IRA continua a recrutar e treinar voluntários - PM irlandês
O primeiro-ministro irlandês, Bertie Ahern, declarou hoje no Parlamento que o Exército Republicano Irlandês (IRA) continua a recrutar e a treinar voluntários e envolvido em actividades criminosas.
Ahern, que citou como fonte da informação as forças de segurança, congratulou-se, no entanto, com o facto de o movimento armado ter iniciado um processo de debate interno sobre o seu futuro.
O chefe do executivo irlandês referia-se ao diálogo iniciado após a oferta do presidente do Sinn Fein, Gerry Adams, que pediu, a 06 de Abril, ao IRA, "braço" armado do partido, para abandonar a luta armada e cingir-se à via política.
"Pelo que sei - disse Ahern - esse debate durará alguns meses, mas congratulo-me com o facto de estar a decorrer. Não vejo quaisquer progressos [no processo de paz da Irlanda do Norte] até que o IRA" decida desaparecer do panorama político da ilha.
De acordo com Bertie Ahern, "hoje mesmo e no passado fim-de- semana, [o IRA] continuou o recrutamento, embora o mais preocupante seja que se calhar está directamente relacionado com actividades criminosas".
O primeiro-ministro irlandês enumerou várias operações recentemente efectuadas pelas polícias irlandesa e norte-irlandesa contra o tráfico de droga, nas quais foram detidos presumíveis membros do IRA.
"Não tenho todas as provas sobre esses casos - precisou -, mas sei que há um caso grave de drogas em que está envolvida gente com um certo passado paramilitar".
Com a sua intervenção, Ahern aumentou a pressão sobre o IRA e o Sinn Fein, que vive uma das suas mais graves crises e enfrenta com incerteza as eleições gerais do Reino Unido de 05 de Maio próximo.
A organização terrorista, que observa uma trégua desde 1997, efectuou até agora três actos de desarmamento, mas o secretismo que os rodeou não gerou a confiança suficiente entre a comunidade unionista da Irlanda do Norte.
No entanto, a série de escândalos que envolveu o movimento republicano armado, sobretudo o roubo, em Dezembro passado, de quase 40 milhões de euros de um banco de Belfast e o assassínio, em Janeiro deste ano, do católico Robert McCartney - ambas as acções atribuídas ao IRA -, colocou-o numa posição difícil.
O processo de paz da Irlanda do Norte encontra-se em crise desde que Londres suspendeu, em Outubro de 2002, a autonomia da província, devido a um alegado caso de espionagem do IRA nas instalações do castelo de Stormont, sede da Assembleia norte-irlandesa.