IRA prossegue actividades, mas não romperá trégua
O Exército Republicano Irlandês (IRA) prossegue as suas actividades de espionagem, recrutamento e treino, mas esta organização não deverá regressar à luta armada, revela um relatório oficial de peritos internacionais divulgado hoje.
A Comissão Internacional de Controlo (IMC), que analisa as actividades dos grupos terroristas da Irlanda do Norte, afirma que o IRA mantém as suas actividades criminosas e não mostra sinais de um possível desmantelamento.
O IRA, obrigado a respeitar um cessar-fogo desde 1997, "continua a ser uma organização muito activa (Ó) determinada em manter a sua eficácia no domínio do crime organizado, controlo de bairros católicos e terrorismo", relata a Comissão composta por quatro especialistas.
A principal organização clandestina da Irlanda do Norte prossegue as suas actividades de espionagem e continua "a recrutar novos membros e a treiná-los nomeadamente no manuseamento de armas e explosivos", acrescenta a Comissão.
Contudo, "não temos qualquer prova" que demonstre que o IRA "tem a intenção de retomar a sua campanha de violência", precisa o relatório.
A Comissão revela que a organização está a realizar um debate interno sobre o seu futuro, referindo-se ao processo iniciado após a proposta do líder do Sinn Fein (braço político do IRA), Gerry Adams, a 06 de Abril, de abandono da luta armada.
Reitera, no entanto, que membros do Sinn Fein aprovaram um assalto de cerca de 40 milhões de euros, cometido em Dezembro passado num banco de Belfast e atribuído ao IRA.
Os quatro especialistas, incluindo o antigo director-adjunto da CIA Richard Kerr, também fazem referência às milícias clandestinas protestantes, concluindo que elas mostram maior propensão para a violência do que os católicos do IRA.
Completam a Comissão o ex-chefe da unidade antiterrorista da Scotland Yard John Grieve, o antigo porta-voz da Assembleia autónoma da Irlanda do Norte John Alderdice e o ex-secretário-geral do ministério da Justiça irlandês Joe Brosnan.