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Irão acusa Arábia Saudita de "prosperar" com tensões

Irão acusa Arábia Saudita de "prosperar" com tensões

Teerão reagiu com ironia ao corte de relações diplomáticas por parte de Riade, este domingo. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão afirma que a Arábia Saudita usou o incidente na sua embaixada como um pretexto para aumentar tensões.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Protestos contra a execução de Nimr al-Nimr na embaixada saudita, em Londres, a 3 de janeiro. Os diplomatas sauditas já começaram a abandonar Teerão, após o corte de relações diplomáticas com o Irão por parte de Riade. Toby Melville - Reuters

O Irão garante a proteção das missões diplomáticas no seu solo, afirmou o ministério.Cerca de 40 pessoas foram presas após o incidente.

Riade encerrou a sua missão diplomática em Teerão após um ataque, este domingo, contra a sua embaixada, reprimido pelas forças de segurança iranianas.

“O Irão agiu de acordo com as suas obrigações diplomáticas para controlar a grande onda de emoção popular que se levantou”, após a execução na Arábia Saudita de um popular clérigo xiita, no sábado passado dia 2 de janeiro, afirmou o porta-voz do Ministério, Hossein Jaberi Ansari.

“A Arábia Saudita beneficia e prospera com o prolongar de tensões”, acrescentou Ansari durante uma entrevista televisionada. “Usou este incidente como desculpa para aumentar as tensões”, considerou.

A execução do clérigo xiita Nimr al-Nimr, que apelava a manifestações pacíficas pró-democracia no reino da Arábia Saudita, onde era muito popular, provocou protestos um pouco por todo o mundo junto às embaixadas sauditas.
"Vingança divina"

Em Teerão, o edifício da embaixada foi atacado e invadido na madrugada deste domingo, por uma multidão que incendiou e destruiu mobiliário antes da intervenção da polícia. Nenhum diplomata saudita estava no local.

O Governo iraniano condenou tanto o ataque como a execução de Nimr al-Nimr. O Ayatolah Ali Khamenei afirmou mesmo que a Arábia Saudita receberá uma "vingança divina" pela execução do clérigo xiita.

A resposta imediata de Riade foi ordenar a saída de todos o seu corpo diplomático do Irão, dando 48 horas aos diplomatas iranianos para abandonarem o reino saudita.

O clérigo xiita foi acusado por Riade de apelar ao terrorismo.
União Europeia avisa
O grupo armado sírio Jaich al Islam aplaudiu por seu lado o corte de relações diplomáticas, afirmando que o apoio de Teerão às milícias xiitas que operam em território sírio estava a desestabilizar o Médio Oriente e a aumentar as tensões sectárias na Síria.

O grupo sunita islamita é o mais influente na área de Damasco e faz parte de um bloco de oposição síria apoiado pela Arábia Saudita, cujo fito oficial é conseguir negociações de paz entre os rebeldes e o Governo sírio do Presidente Bashar al-Assad.

Teerão tem ajudado Assad a combater a rebelião sunita, com homens e armamento e o apoio às milícias xiitas libanesas do Hezbollah. Para o Jaich al Islam o Irão tem estado a "ameaçar a segurança da região por exportar milícias criminosas que espalham a destruição e estão plenas de violência sectária".

A responsável pela política externa da União Europeia avisou domingo o ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros que o renovar das tensões entre o Irão xiita e a monarquia sunita da Arábia Saudita poderia deitar por terra as conversações de paz sírias.

O conflito na Síria iniciou-se em março de 2011 com a revolta da população sunita que exigia a demissão de Assad. A guerra, que envolve agora no terreno as maiores potências da região, provocou já 250.000 mortos, milhões de deslocados e de refugiados e reforçou o poder do grupo extremista Estado Islâmico, conhecido também pelo acrónimo árabe Daesh.
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