Irão. Comunicação com o exterior parcialmente cortada em meio de escalada de protestos

As comunicações com o exterior estão parcialmente cortadas no Irão, incluindo internet e chamadas telefónicas, de acordo com a Reuters. O corte acontece no 13.º dia de protestos contra o custo de vida e o regime, que se estenderam um pouco por todo o país.

RTP /
Firdous Nazir / NURPHOTO VIA AFP

O acesso à internet está bloqueado desde quinta-feira, de acordo com a ONG de monitorização de cibersegurança Netblocks, para “reprimir protestos generalizados e encobrir relatos de brutalidade do regime”. Canais iranianos com sede fora do país e outros meios de comunicação independentes têm feito circular vídeos das manifestações, fortemente reprimidas pelas autoridades.

No entanto, a agência Reuters deu conta esta sexta-feira de uma extensão do apagamento das comunicação com o exterior, “com chamadas telefónicas a não chegarem ao país, voos cancelados e sites de notícias iranianos online atualizam apenas intermitentemente”.

O corte nas comunicações acontece em meio de uma onde de protestos começada a 28 de dezembro de 2025 contra o aumento do custo de vida, mas rapidamente tem desafiado o regime, ouvindo-se cânticos como “morte à República Islâmica” e uma minoria a favor do filho do Xá Reza Pahlavi, deposto pela Revolução Iraniana em 1979.

As manifestações iniciaram-se com um novo ponto baixo do rial iraniano em paridade com o dólar, assim como uma taxa de inflação acima dos 40% e o aumento do preço dos combustíveis. São os maiores protestos no Irão desde a morte de Mahsa Amini, em 2022, morta após ter sido acusada pelas autoridades de usar um véu islâmico mal ajustado.

Os protestos já provocaram, pelo menos 45 mortos, de acordo com o Iran Human Rights, 13 só na passada quarta-feira, “o dia mais sangrento registado dos protestos”. O diretor da organização, Mahmood Amiry-Moghaddam, garante que mais de duas mil pessoas foram detidas.

As organizações não-governamentais estão a acusar o governo de Teerão de usar gás lacrimogéneo e balas para conter os protestos.

Um polícia foi morto com uma arma branca, de acordo com a agência de notícias iraniana Fars, e uma mulher foi baleada no olho, em Abadan, na parte ocidental do país.

Os protestos têm sido pacíficos, mas também há relatos de atos mais violentos, como o bloqueio de ruas e o incêndio de edifícios na capital Teerão.
Khamenei acusa manifestantes de servirem EUA Ali Khamenei, líder supremo do Irão, realizou um discurso, transmitido pela televisão estatal, a prometer reforçar a repressão aos manifestantes, apelidando-os de “mercenários”, e apelando à “unidade” contra as “ações terroristas”, referindo-se aos protestos.

O líder supremo acusou os manifestantes de “destruir as suas próprias ruas para fazer o presidente de outro país feliz”, referindo-se a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

O tom do líder supremo contrasta com o do presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, que pediu "máxima moderação" para com os manifestantes, assim como ouvir as “reivindicações do povo".
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