Israel anuncia ataque terrestre contra o Hezbollah no Líbano
Dezassete dias após o ataque israelo-americano a Teerão, o conflito assola o Médio Oriente e preocupa o mundo inteiro, tanto pelos riscos que representa para a economia global como pela instabilidade geopolítica que gera.
O exército israelita, que tem vindo a realizar incursões no sul do Líbano com tropas terrestres e veículos blindados desde o início do mês, declarou ter iniciado "operações terrestres limitadas e dirigidas contra importantes bastiões" do movimento pró-Irão Hezbollah na região.
Explosões sentidas em Teerão
As explosões foram ouvidas no centro de Teerão, onde os sistemas de defesa aérea foram ativados. O alvo não foi imediatamente identificado.
A cidade já tinha sido sacudida por fortes explosões durante a noite.
Diplomacia europeia discute segurança do Estrito de Ormuz perante pressão de Trump
A chefe da diplomacia europeia confirmou na manhã desta segunda-feira, à chegada para a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia que vai ser discutida a questão do Estreito de Ormuz e que soluções há para o manter aberto à navegação.
Kaja kallas fala de possibilidade de se encontrar uma solução semelhante à que esteve em vigor no Mar Negro por causa dos cereais ucranianos.
"É lógico que aqueles que beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de mal lá acontece", disse o presidente norte-americano numa entrevista ao jornal britânico Financial Times, na qual apontou a China e a Europa como particularmente dependentes do petróleo da região.
Os preços do crude, que são atualmente voláteis estão a ser afetados pela expectativa de que a guerra do petróleo dure mais tempo do que o previsto e pelos problemas no Estreito de Ormuz, onde já foram atacados vários petroleiros.
A Guarda Revolucionária Iraniana reivindicou a autoria, nos últimos dias, de vários ataques a navios no Estreito de Ormuz, no âmbito da sua resposta à ofensiva lançada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o país asiático.
O Conselho da Organização Marítima Internacional (OMI) vai realizar uma sessão extraordinária nos dias 18 e 19 de março para tratar das repercussões para o transporte marítimo do bloqueio no Estreito de Ormuz e da instabilidade na região.
China pede cessação imediata das operações militares
Questionado sobre os comentários do presidente norte-americano, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou que "a diplomacia entre chefes de Estado desempenha um papel estratégico insubstituível nas relações China-EUA", acrescentando que "os dois lados mantiveram comunicação relativamente à visita do presidente Trump".
Em resposta a uma pergunta sobre o pedido de Trump para o envio de navios de guerra para o Estreito, Lin Jian disse que as recentes tensões interromperam as rotas comerciais e prejudicaram a paz regional e global.
"A China reitera o seu apelo para que todas as partes cessem imediatamente as operações militares", disse o porta-voz, acrescentando: "Estamos empenhados em promover a desescalada".
Aeroporto do Dubai retoma gradualmente algumas ligações
A guerra entre os EUA e Israel contra o Irão, que vai já na terceira semana, mergulhou a aviação global no caos, com voos cancelados, remarcados e desviados, enquanto a maior parte do espaço aéreo do Médio Oriente permanece fechado devido aos receios de ataques com mísseis e drones.
Sendo o Golfo Pérsico um cruzamento global para a aviação comercial, a guerra entre os EUA e Israel com o Irão interrompeu as viagens, fez disparar os preços dos combustíveis e das passagens aéreas, afetou o fluxo de mercadorias como medicamentos essenciais e desorganizou os planos de férias.
O incidente de segunda-feira, que causou um incêndio num tanque de combustível, mas sem feridos, é o terceiro ataque ao aeroporto do Dubai desde que o Irão lançou ataques contra nações do Golfo, a 28 de fevereiro, com ataques que Teerão afirma visarem a presença dos EUA na região.
Enquanto os Emirados Árabes Unidos e outros países do Golfo recebem voos comerciais dos EUA, a situação continua crítica. Além das instalações militares, o Irão tem utilizado mísseis e drones para atingir instalações civis, como aeroportos, hotéis e portos.
Os voos na região estão a cerca de metade do nível normal, embora o seu número tenha aumentado desde o início da guerra.
Os disparos de drones e mísseis têm mantido as aeronaves a circular regularmente pelo movimentado aeroporto do Dubai, afetando gravemente o turismo no Médio Oriente, avaliado em cerca de 367 mil milhões de dólares por ano. As tarifas de frete aéreo também aumentaram até 70% em algumas rotas.
Num comunicado divulgado na data X, a Autoridade de Aviação Civil do Dubai sinalizou uma "retoma gradual" de alguns voos para destinos selecionados, informou o Gabinete de Comunicação Social do Dubai.
Trump sugere adiar visita à China enquanto aumenta a pressão sobre o Estreito de Ormuz
Na sua entrevista de domingo ao Financial Times, Trump disse que a dependência da China do petróleo do Médio Oriente significa que o país deve ajudar na nova coligação que está a tentar formar para que o tráfego de petroleiros possa fluir através do estreito. "Gostaríamos de saber" antes da viagem se Pequim vai ajudar. "Podemos adiar", disse Trump na entrevista.
Como relata a Associated Press, a incerteza sublinha o quanto os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão remodelaram a política global nas últimas duas semanas.
O cancelamento da visita presencial com o presidente chinês Xi Jinping pode ter grandes consequências económicas: as relações entre Washington e Pequim têm sido tensas, com ambos os lados a ameaçarem o outro com tarifas elevadas ao longo do último ano.
MNE da UE discutem eventual reforço de presença naval no Médio Oriente
A reuniãoem Bruxelas,terá três pontos de agenda: a situação no Médio Oriente, a guerra na Ucrânia e a vizinhança sul da União Europeia.
No que se refere ao Médio Oriente, os chefes da diplomacia dos 27, incluindo de Portugal, vão abordar um eventual reforço da missão naval da UE “Aspides”, que visa proteger navios comerciais em regiões como o Mar Vermelho, Golfo de Aden ou Oceano Índico Ocidental, mas que pode também ser mobilizada para o Estreito de Ormuz, paralisado atualmente pela guerra e por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
Essa missão está atualmente impedida de recorrer ao uso de força militar para proteger os navios que escolta, uma vez que não tem um mandato executivo, que, para ser atribuído, precisa de ser aprovado por unanimidade pelos Estados-membros.
Um morto em Abu Dhabi após queda de míssil sobre veículo
Dubai, 16 mar 2026 (Lusa) - Um palestiniano foi hoje morto nos arredores da capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, quando um míssil atingiu o carro em que seguia, anunciaram as autoridades.
As autoridades "intervieram na sequência de um incidente ocorrido na zona de Al Bahia, que envolveu o impacto de um míssil num veículo civil, o que resultou na morte de um cidadão palestiniano", declarou o gabinete de imprensa de Abu Dhabi em comunicado.
A morte ocorre numa altura em que Teerão prossegue os ataques no Golfo em retaliação à agressão americano-israelita ao Irão.
Em resposta à ofensiva iniciada em 28 de fevereiro, o Irão lançou ataques com mísseis e drones contra Israel e contra os países vizinhos, visando em particular bases militares e outros interesses norte-americanos mas também infraestruturas económicas, sobretudo energéticas.
CAD // SB
Lusa/Fim
UE pede a Guterres iniciativa para permitir exportação de petróleo pelo estreito de Ormuz
A chefe da diplomacia da UE disse hoje ter falado com o secretário-geral da ONU para pedir uma iniciativa que permita exportar petróleo pelo estreito de Ormuz, semelhante ao acordo que permitiu a saída de cereais da Ucrânia.
"Durante o fim de semana, falei com o secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre se seria possível ter o mesmo tipo de iniciativa [no estreito de Ormuz] que tivemos no Mar Negro para tirar cereais da Ucrânia", referiu Kaja Kallas em declarações aos jornalistas à chegada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, em Bruxelas.
A Alta Representante da UE referiu que o encerramento do estreito de Ormuz é "muito perigoso" para o abastecimento de petróleo, em particular para a Ásia, "mas também é problemático para os fertilizantes".
"Se houver falta de fertilizantes este ano, vai haver privação alimentar no próximo ano. Portanto, discutimos com o António Guterres como é que seria possível concretizar" essa iniciativa, indicou.
Na menção que fez à Ucrânia, Kaja Kallas referia-se à designada Iniciativa dos Cereais do Mar Negro, mediada pela ONU e pela Turquia em julho de 2022, que, após ter sido assinada por Kiev e Moscovo, permitiu exportações de cereais a partir dos portos ucranianos apesar da guerra entre os dois países, antes de a parte russa suspender o acordo em julho de 2023.
Nestas declarações aos jornalistas, Kaja Kallas referiu que os ministros dos Negócios Estrangeiros vão também discutir hoje se alteram o mandato da missão Aspides, que tem como missão atualmente proteger navios comerciais e mercantes na região do Mar Vermelho.
"Vamos ver se os Estados-membros estão verdadeiramente disponíveis para usar esta missão. Se quisermos ter segurança na região, era mais fácil usar esta missão que já temos na região e mudá-la um pouco", disse, referindo que, apesar de a França já ter anunciado que pretende criar uma missão para ajudar a abrir o estreito de Ormuz, "é preciso ver o que é que poderia funcionar mais rápido".
Questionada sobre as declarações do Presidente dos Estados Unidos, que disse este domingo que a NATO teria um "futuro muito mau" se os aliados não ajudarem a abrir o estreito de Ormuz, Kaja Kallas respondeu: "É do nosso interesse manter o estreito de Ormuz aberto".
"Por isso é que também estamos a ver o que é que podemos fazer do lado europeu. Temos estado em contacto com os nossos colegas americanos a vários níveis", referiu.
Kallas observou, contudo, que o estreito de Ormuz "está fora da área" da Aliança e "não há países da NATO no estreito de Ormuz", salientando que é por isso que a missão Aspides, ou outra missão voluntária que seja criada por Estados-membros da UE para o estreito de Ormuz, é importante.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) reúnem-se hoje em Bruxelas para discutir as consequências da guerra no Irão e decidir um eventual reforço da presença naval no Médio Oriente para proteger a circulação marítima na região.
Preço do petróleo Brent sobe 2% e ultrapassa os 105 dólares
O preço do petróleo Brent, referência europeia, subia mais de 2% às 08:22 e estava a ser negociado acima dos 105 dólares antes da abertura dos mercados bolsistas europeus.
O preço do Brent chegou a ultrapassar os 106 dólares na abertura do mercado de hoje, mas depois moderou a sua subida para os 105 dólares.
As bolsas europeias apontam hoje para aberturas mistas, com ligeiras quedas em Madrid e Londres, e ganhos até 0,4% em Frankfurt, Paris e Milão.
O Ibex 35 encerrou a sessão de sexta-feira nos 17.059,30 pontos e prevê-se que abra hoje em baixa, com uma ligeira queda de menos de duas décimas.
Entretanto, o preço do petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência americana, subiu 1,7% para 98,57 dólares por barril.
O presidente norte-americano, Donald Trump, alertou no domingo que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) enfrenta um "futuro muito mau" se os aliados não cooperarem para reabrir o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio internacional de petróleo que foi bloqueada pelos militares iranianos em resposta à ofensiva lançada por Washington e Israel contra o Irão a 28 de fevereiro.
"É lógico que aqueles que beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de mal lá acontece", disse o presidente norte-americano numa entrevista ao jornal britânico Financial Times, na qual apontou a China e a Europa como particularmente dependentes do petróleo da região.
A Agência Internacional de Energia (AIE) decidiu na semana passada libertar 400 milhões de barris das suas reservas estratégicas, a maior libertação da sua história, para ajudar a reduzir as tensões nos preços do petróleo.
No âmbito desta decisão, os Estados Unidos participarão libertando 172 milhões de barris. Os primeiros 86 milhões de barris de crude libertados pelos Estados Unidos da sua reserva estratégica começarão a chegar ao mercado no final desta semana.
Os preços do crude, que são atualmente voláteis estão a ser afetados pela expectativa de que a guerra do petróleo dure mais tempo do que o previsto e pelos problemas no Estreito de Ormuz, onde já foram atacados vários petroleiros.
O Estreito de Ormuz é uma via navegável estratégica por onde passa aproximadamente um quinto do comércio marítimo mundial de petróleo, para além de um volume significativo de gás natural liquefeito e fertilizantes.
O Conselho da Organização Marítima Internacional (OMI) vai realizar uma sessão extraordinária nos dias 18 e 19 de março para tratar das repercussões para o transporte marítimo do bloqueio no Estreito de Ormuz e da instabilidade na região provocada pelos ataques do Irão contra os países do Golfo em resposta à ofensiva conjunta dos EUA e de Israel em território iraniano.
A Guarda Revolucionária Iraniana reivindicou a autoria, nos últimos dias, de vários ataques a navios no Estreito de Ormuz, no âmbito da sua resposta à ofensiva lançada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o país asiático.
Israel destruiu avião utilizado por Ali Khamenei
Segundo Israel, a aeronave era usada por altos funcionários e figuras militares iranianas para viagens nacionais e internacionais e para coordenar operações com países aliados.
Exército iraniano ameaça atacar infraestruturas regionais do canal Iran International
"Utilizando as capacidades de satélite e as infraestruturas mediáticas de certos países da região", o canal "age para criar tensões, fabricar narrativas falsas (...) de forma a servir os objetivos dos Estados Unidos criminosos e do regime sionista", afirmou o Centro de Comando Conjunto Khatam al-Anbiya num comunicado divulgado na noite de domingo.
Ameaçou "enumerar" quaisquer "elementos de cooperação" com esta "rede maléfica" como "alvos da República Islâmica".
A localização da infraestrutura utilizada pelo canal na região não foi divulgada de imediato.
O Irão designou o Iran International como uma "organização terrorista" desde 2022 e declarou nos últimos meses que está afiliado a Israel, alertando que qualquer cooperação com o canal será sujeita a sanções.
Israel anuncia operações terrestres limitadas contra Hezbollah no sul do Líbano
"Nos últimos dias, soldados israelitas da 91.ª divisão iniciaram operações terrestres limitadas e direcionadas contra bastiões-chave do Hezbollah no sul do Líbano, com o objetivo de reforçar a zona de defesa avançada" em território libanês, ao longo da fronteira entre o norte de Israel e o sul do Líbano, declarou o exército em comunicado.
"Estas atividades inscrevem-se no âmbito de esforços defensivos mais amplos destinados a estabelecer e reforçar uma postura defensiva avançada, que inclui o desmantelamento da infraestrutura terrorista e a eliminação dos terroristas que operam na zona, a fim de (...) criar uma camada adicional de segurança para os habitantes do norte de Israel", acrescenta-se na nota.
O exército indicou que, antes da entrada dos soldados neste setor, "realizou ataques de artilharia e aéreos contra numerosos alvos terroristas".
Ataque com drone provoca incêndio em zona petrolífera
"Um incêndio deflagrou na zona industrial petrolífera (...) na sequência de um ataque com drone, sem registo de feridos", afirmou o gabinete de imprensa de Fujairah em comunicado, acrescentando que os esforços para extinguir as chamas estavam "em curso".
O local situa-se na costa do Golfo de Omã, para além do Estreito de Ormuz, que foi efetivamente encerrado pelo Irão.
Arábia Saudita e Emirados intercetam dezenas de drones e misseis
Não há negociações à vista entre Estados Unidos e Irão. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano garante que não há motivos para conversações e nega ter pedido um cessar-fogo.
Guerra Médio Oriente. Exército israelita garante que ataques continuarão
Israel garante que o regime de Teerão está já enfraquecido, mas o porta-voz do exército avisa que os ataques vão continuar.
Guerra Médio Oriente. Irão nega ter pedido cessar-fogo
Não há negociações à vista entre Estados Unidos e Irão. O Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano garante que não há motivos para conversações e nega ter pedido um cessar-fogo. Teerão promete continuar a autodefesa.
Telavive desmente cenário de negociações com Beirute
Israel garante que, ao contrário do que foi noticiado, não vai haver negociações com o Líbano para acabar com o conflito. O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita considera que se presidente e exército libanês querem paz devem impedir o Hezbollah de atacar Israel a partir do Líbano.
Israel espera até mais seis semanas de guerra
As autoridades de Israel antecipam que o conflito possa durar mais três a seis semanas. O exército israelita atacou o oeste do Irão, que respondeu com mísseis também a vários países do Golfo Pérsico.
MNE palestiniana em entrevista à RTP. É necessário que “a guerra pare imediatamente para que as pessoas possam respirar”
A Autoridade Palestiniana faz um apelo para o fim da guerra na região entre Israel e o Irão. A MNE Varsen Shahin deu este fim de semana uma entrevista em exclusivo à RTP.
“Qualquer agravamento do conflito, da guerra na região, é uma catástrofe para toda a região, e é precisamente a isso que estamos a assistir”, apontou Varsen Shahin, ministra de Estado e dos Negócios Estrangeiros da Palestina, em entrevista aos enviados da RTP a Israel, Paulo Jerónimo e José Pinto Dias.
Face ao redobrar de ataques mútuos a que vimos assistindo nas últimas semanas entre Israel e Irão, a chefe da diplomacia palestiniana deixou um apelo para que “tudo isto pare imediatamente, para que as pessoas possam respirar e seja cumprido o que dita o Direito Internacional”.
“Caso contrário, este agravamento só irá trazer mais violência à região”, alertou Varsen Shahin.