Irão detém membros de minoria religiosa por contactos com Israel
As autoridades iranianas detiveram vários membros da minoria religiosa baha`i no norte do Irão por manterem contactos com Israel, noticiou hoje uma agência noticiosa local.
A República Islâmica, onde o xiismo é a religião de Estado, considera os bahaístas hereges e espiões ligados a Israel, inimigo declarado de Teerão.
"Vários membros [da comunidade baha`i] foram detidos na província de Guilan, no norte do país", noticiou a agência iraniana Fars, citando um comunicado dos serviços secretos.
As pessoas detidas "estavam em contacto com o centro sionista de Beit-ol-Adl" em Israel, a autoridade suprema da comunidade baha`i.
A sede histórica mundial da religião baha`i situa-se em Haifa, no norte de Israel.
"A missão do grupo era também propagar os ensinamentos baha`i, nomeadamente nas escolas de música para crianças", acrescentou a fonte, segundo a agência francesa AFP.
Os bahaístas seguem os ensinamentos de Bahaullah, nascido no Irão em 1817, que consideram ser um profeta e o fundador desta religião monoteísta que promove a unidade e a igualdade.
A fé baha`i não é reconhecida pelas autoridades iranianas, ao contrário de outras religiões minoritárias não muçulmanas, nomeadamente o cristianismo, o judaísmo e o zoroastrismo.
Trata-se, no entanto, da maior minoria religiosa não muçulmana do Irão.
Os bahaístas afirmam ter mais de sete milhões de seguidores no mundo.
Em agosto de 2022, Teerão anunciou a detenção de vários membros da comunidade baha`i na província de Mazandaran, vizinha de Guilan.
Em 2018, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução em que pedia ao Irão para pôr termo às "detenções arbitrárias" de minorias religiosas e a libertar os bahaístas presos.