Irão diz que acusações ocidentais sobre enriquecimento de urânio têm "motivações políticas"
Teerão, 10 jan (Lusa) -- A Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) confirmou segunda-feira que o Irão começou a enriquecer urânio numa segunda instalação, a central de Fordo, acusações que Teerão considera terem "motivações políticas".
"Estas reações são exageradas e politicamente motivadas e têm sido feitas nos últimos anos", afirmou hoje o embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, citado pela agência noticiosa ISNA.
Em comunicado divulgado segunda-feira, a porta-voz da agência da ONU, Gill Tudor, disse que a "AIEA está em condições de confirmar que o Irão começou a produzir urânio enriquecido a 20 por cento, na central de enriquecimento de Fordo", numa montanha protegida de eventuais ataques aéreos.
"Todos os materiais nucleares na infraestrutura mantêm-se sob vigilância e restrições da agência", acrescentou.
Em 2009, o Irão admitiu a existência da central, e relatórios anteriores da AIEA davam conta de movimentações de cientistas iranianos que preparavam a central para iniciar operações.
Teerão, que insiste que o seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos, já garantiu, repetidas vezes, que não vai abandonar o enriquecimento de urânio, apesar das quatro resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que exigem ao Irão que desista.
O país diz que precisa do urânio enriquecido a 20 por cento para tratar cancros, mas o Ocidente duvida desta versão, e tem adotado diversas sanções para impedir Teerão de continuar o programa nuclear.
No fim-de-semana, um diário iraniano noticiou que a central de Fordo começou a enriquecer urânio a 20 por cento o que, segundo os cientistas, representa uma grande parte do processo de enriquecimento a 90 por cento, necessário para o fabrico de armas nucleares.
O Irão começou a enriquecer urânio em 2006 em Natanz, central onde funcionam perto de 8.000 centrifugadoras.