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Irão. EUA impõem mais sanções por morte de jovem detida pela "polícia da moral"

Irão. EUA impõem mais sanções por morte de jovem detida pela "polícia da moral"

Os Estados Unidos impuseram hoje novas sanções a membros da agência de serviços secretos do Irão, líderes da Guarda Revolucionária e diretores prisionais, 40 dias após a morte de uma jovem curda iraniana detida pela "polícia da moral".

Lusa /

As sanções do Governo norte-americano decretaram o congelamento de bens e o pagamento de multas a dez membros da liderança do Irão, prosseguindo uma série de medidas impostas a Teerão pela repressão exercida sobre os manifestantes e interrupção do acesso à internet.

Entre os alvos das mais recentes sanções, estão o comandante da organização de serviços de informações da Guarda Revolucionária iraniana, diretores de algumas prisões e uma empresa iraniana cuja atividade consiste em filtrar as redes sociais.

A "polícia da moral" iraniana, encarregada de zelar pelo cumprimento do rígido código de vestuário feminino da República Islâmica, deteve a jovem curda iraniana de 22 anos Mahsa Amini a 13 de setembro, em Teerão, onde estava de visita, proveniente da sua cidade natal, na região curda ocidental do país.

A polícia agrediu-a violentamente e deteve-a porque, embora envergasse o hijab (véu islâmico), este estava demasiado solto, deixando à mostra parte do cabelo da jovem. O Irão exige que as mulheres usem o véu de forma a cobrir totalmente o seu cabelo em público.

A jovem entrou em coma enquanto estava sob custódia policial e foi transportada para um hospital, onde morreria três dias depois, a 16 de setembro.

Amini continua a estar no centro de fortes protestos que decorrem há mais de um mês no Irão e que têm representado um dos maiores desafios à ordem imposta pela República Islâmica desde que em 2009 as manifestações do Movimento Ecologista levaram milhões para as ruas.

A sua morte desencadeou protestos em dezenas de cidades por todo o país de 80 milhões de pessoas, com jovens mulheres a marcharem pelas ruas expondo publicamente e cortando o cabelo. O Governo iraniano reagiu com forte repressão, atribuindo a culpa das manifestações à ingerência estrangeira.

Os grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que desde o início dos protestos, há mais de um mês, as forças de segurança iranianas mataram mais de 200 pessoas, incluindo crianças.

"Quarenta dias após a trágica morte de Mahsa Amini, os iranianos continuam a protestar corajosamente enfrentando uma violenta repressão e a interrupção do acesso à internet", declarou o subsecretário para o Terrorismo e Serviços de Informações Financeiras norte-americano, Brian Nelson.

"Estas sanções são parte do nosso compromisso para responsabilizar todos os níveis do Governo iraniano pela repressão que exercem" sobre a população, sublinhou o responsável.

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