Irão. Exército dos Estados Unidos termina nova onda de ataques aéreos

Irão. Exército dos Estados Unidos termina nova onda de ataques aéreos

O exército norte-americano anunciou hoje ter terminado a mais recente vaga de ataques aéreos contra o Irão, numa onda de bombardeamentos que atingiu pela primeira vez zonas no norte do país.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A imprensa estatal iraniana relatou explosões em redor da capital, Teerão, na última ronda de ataques norte-americanos relacionados com o controlo do estreito de Ormuz, via marítima do Golfo Pérsico por onde, em tempos de paz, passava um quinto de todo o petróleo e gás natural mundial.

Os `media` iranianos acrescentaram que os ataques norte-americanos tiveram como alvo a província de Semnan, onde se localiza a produção de mísseis balísticos e o programa espacial do país. Não houve de imediato informação sobre vítimas ou danos.

O Irão lançou também ataques contra o Bahrein e o Kuwait na madrugada desta quinta-feira, depois de os Estados Unidos terem reimposto um bloqueio naval e intensificado a campanha aérea em retaliação às ofensivas iranianas contra navios que tentavam atravessar o estreito de Ormuz.

Dias de ofensivas cruzadas entre os EUA e o Irão em todo o Médio Oriente - e novas ameaças ao estreito crucial para o abastecimento energético mundial - destruíram o acordo interino para pôr fim ao conflito, aumentando o risco de regressar a uma guerra total.

Os EUA tinham imposto um bloqueio em abril, levantado no mês passado após a assinatura de um acordo interino que suspendeu os combates e estabeleceu um período de 60 dias para negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano.

As conversações estagnaram com a intensificação da luta pelo controlo do estreito.

Quando os EUA e Israel lançaram a guerra contra o Irão a 28 de fevereiro, Teerão fechou efetivamente a passagem ao tráfego marítimo, provocando uma escalada nos preços do petróleo, fertilizantes e outros bens, dando ao Irão uma vantagem nas negociações.

A subida dos preços representa um desafio para o Presidente norte-americano, Donald Trump, e para o Partido Republicano, que procura manter o controlo do Congresso nas eleições de novembro. Washington tem enfrentado dificuldades em reabrir o estreito.

Cerca de 24 horas após o bloqueio entrar em vigor, os militares norte-americanos abriram fogo e neutralizaram um navio mercante, com a Guarda Revolucionária iraniana a ameaçar suspender todas as exportações de energia do Médio Oriente devido ao bloqueio.

"A exportação de petróleo e gás da região será para todos ou para ninguém", declarou a força de elite iraniana.

Pouco depois de os EUA lançarem uma terceira vaga de ataques, Trump disse que o Irão estava pronto para um acordo de paz, sem dar detalhes.

"Eles não gostam do que estamos a fazer e querem chegar a um entendimento. Vamos ver se chegamos a acordo ou se simplesmente acabamos com isto", afirmou na quarta-feira, num encontro de defesa no Colégio de Guerra do Exército dos Estados Unidos, na Pensilvânia.

O Comando Central norteamericano informou ter atingido dezenas de alvos na quarta-feira, com bombardeamentos realizados durante o dia, um movimento invulgar que demonstra o ritmo crescente das ofensivas.

Entre os alvos esteve a ilha de Greater Tunb, considerada estratégica no estreito de Ormuz, com outro ataque a atingir um quartel da 388.ª Brigada de Infantaria Mecanizada iraniana, na província de Sistão e Baluchistão.

Os ataques norte-americanos na quarta-feira mataram pelo menos sete militares e feriram centenas de pessoas em várias regiões, segundo autoridades iranianas.

Segundo o porta-voz do Ministério da Saúde iraniano, Hossein Kermanpour, mais de 35 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas nos ataques aéreos dos EUA nos últimos dias. Foi o primeiro balanço oficial divulgado pelas autoridades iranianas nesta ronda de combates.

Entretanto, os preços do petróleo continuam a subir, com o barril de Brent, referência internacional, a ultrapassar os 85 dólares por barril na quarta-feira - mais de 15% acima do valor anterior à guerra, embora ainda abaixo dos quase 120 dólares atingidos no auge do conflito.

Analistas do Fundo Monetário Internacional alertaram que, embora o excedente de petróleo tenha mantido os preços baixos, "grande parte dessa margem já foi utilizada".

Tópicos
PUB