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Irão faz simulação com mísseis em contexto de tensão crescente com EUA

Irão faz simulação com mísseis em contexto de tensão crescente com EUA

Militares da Marinha do Irão iniciaram um exercício de mísseis navais de curto alcance, esta quarta-feira, numa altura em que aumenta a tensão entre Teerão e Washington, com o tema do acordo nuclear em cima da mesa e a pressão da Administração Trump nos últimos dias.

Inês Moreira Santos - RTP /
EPA

Foi com o navio de guerra iraniano Makran – que os meios de comunicação estatais descreveram como o maior navio de guerra do Irão com uma plataforma para helicópteros – e o navio de lançamento de mísseis Zereh que, esta quarta-feira, começou o exercício de simulação de mísseis para durar dois dias, no Golfo de Omã (estreito que liga o mar Arábico ao golfo Pérsico). A informação foi avançada pela televisão estatal do Irão, que confirmou ainda que estavam presentes altos oficiais militares, incluindo o chefe do Estado-Maior do Exército, general Hossein Baqeri.

O exercício começou com a entrega formal do navio-base avançado Makran e a fragata de lançamento de mísseis Zereh à Marinha iraniana. Segundo a televisão estatal, esta embarcação maior poderá ser utilizada para operações anti-submarino e antimina nas águas do Golfo Pérsico, além de trabalhos humanitários e operações especiais.

Os media iranianos afirmam até que o Makran, de 121 mil toneladas métricas, é um navio de logística que dá suporte aos navios de combate da frota, pode viajar quase três anos sem atracar e transporta equipamentos de colheita e processamento de informações.

Já o navio de guerra de lançamento de mísseis Zereh, conhecido pela sua capacidade de manobra e velocidade, foi descrito pelos media como um dos poderosos navios do Irão equipados com mísseis avançados e artilharia.

Imagens de vídeo divulgadas pela Marinha iraniana mostram ainda helicópteros a transportar militares para o Makran como parte do exercício.



De acordo com Aljazeera, a Marinha iraniana pretende disparar mísseis de cruzeiro à superfície do mar, testar mísseis de submarinos, conduzir operações de forças especiais e manobrar veículos aéreos não tripulados como parte deste exercício de dois dias.

"Ao organizar este exercício, podemos avaliar a nossa capacidade de responder a potenciais ameaças do inimigo em tempo útil e melhorar o nosso desempenho abordando os pontos fracos e aumentando os fortes", disse o almirante Hamzeh Ali Kaviani, que atuou como porta-voz do exercício.

É sabido que o Irão tem um dos maiores programas de mísseis do Médio Oriente e assume estas armas como uma importante força de dissuasão e retaliação contra os Estados Unidos e outros adversários, em caso de guerra. Já o Ocidente vê os mísseis iranianos tanto como uma ameaça militar convencional à estabilidade regional como um possível mecanismo de utilização de armas nucleares, caso Teerão as desenvolva.

Já na segunda-feira, o contra-almirante Alireza Tangsiri, atual comandante da Marinha do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) declarou que a República Islâmica tinha "controlo total" do golfo Pérsico, no meio da crescente tensão entre Washington e Teerão. Além disso, Tangsiri insistiu que os EUA "não têm opção a não ser a retirada da região do golfo", que é "a casa" do Irão e "dos países muçulmanos na região sul".

Agora, esta demonstração militar ocorre numa altura em que as tensões entre o Irão e os Estados Unidos aumentam, e apenas uns dias depois de Teerão ter revelado ter uma base subterrânea com mísseis de longo alcance.

Também esta quarta-feira, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse num discurso transmitido pela televisão durante uma reunião de gabinete que as sanções dos EUA vão falhar.

"Estamos a assistir ao fracasso de uma política, a campanha de pressão máxima, o terrorismo económico", disse Rouhani.

As tensões entre os Estados Unidos e o Irão aumentaram desde 2018, quando o presidente cessante dos EUA, Donald Trump, abandonou o acordo nuclear de 2015 e restabeleceu duras sanções para pressionar o Irão a negociar restrições mais rigorosas ao seu programa nuclear.

Nos últimos anos, têm existido confrontos periódicos entre as forças militares do Irão e dos EUA no Golfo de Omã, onde Teerão realiza exercícios anuais para exibir o poderio militar da República Islâmica, para enfrentar "ameaças estrangeiras".

Aliás, nas últimas semanas, o Irão aumentou os exercícios militares. No sábado, a Guarda Revolucionária Islâmica realizou um desfile naval no Golfo Pérsico e uma semana antes Teerão tinha realizado uma simulação com drone em metade do país.

Também na semana passada, o Irão apreendeu um petroleiro sul-coreano e os seus tripulantes no Golfo, e mantém o navio num porto iraniano. A República Islâmica aparentemente tenta aumentar a sua influência sobre Seul antes das negociações sobre milhões de dólares em ativos iranianos congelados em bancos sul-coreanos vinculados às sanções dos EUA ao Irão.

Na terça-feira, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, acusou o Irão de ter ligações à rede terrorista Al-Qaeda e impôs novas sanções a vários altos funcionários iranianos.
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