Mundo
Irão recebe primeiro carregamento de combustível nuclear russo
A Rússia fez chegar ao Irão a primeira carga de urânio para abastecer a central nuclear de Bouchehr, apesar do desconforto das potências ocidentais. Moscovo garante que o seu programa de cooperação energética com Teerão decorre “sob o controlo” da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
Os primeiros 163 módulos com urânio U-235, enriquecido a 3,62 por cento, chegaram no domingo ao complexo de Bouchehr, no Sul do Irão. A nova central nuclear deverá receber, ao todo, 163 módulos principais e 17 de reserva, num processo “por etapas” que estará concluído até Fevereiro do próximo ano. No primeiro ano de funcionamento, Bouchehr deverá consumir 82 toneladas de combustível.
Segundo a Atomstroiexport, empresa russa responsável pela construção dos reactores de Bouchehr, o urânio “foi colocado num entreposto especial, sob a garantia da AIEA, ao qual se aplica um sistema internacional” de vigilância e controlo.
Antecipando um abalo diplomático, o Governo russo já veio sublinhar que o combustível transportado para o Irão visa fins pacíficos. As remessas de combustível, afirma em comunicado o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, serão levadas a cabo “em conformidade com o acordo russo-iraniano para a construção de Bouchehr sob o controlo da AIEA”. Por outro lado, prossegue o comunicado, o regime iraniano “apresentou, em complemento, garantias escritas de que o combustível será exclusivamente utilizado para a central de Bouchehr”.
Moscovo instou também o regime a interromper as suas actividades de enriquecimento de urânio, agora que o projecto de construção da central de Bouchehr entrou na fase final. No entanto, este é um pedido ao qual o regime não está disposto a anuir. Em declarações difundidas pela televisão estatal do Irão, o responsável pela agência iraniana de energia atómica, Gholam Reza Aghazadeh, fez saber que o país vai continuar a enriquecer urânio para abastecer uma segunda central em construção na região de Darkhoyen, também no Sul.
“Temos uma central autóctone com uma capacidade de 360 megawatts em Darkhoyen (…) e essa central precisará de combustível”, disse Aghazadeh. O mesmo responsável explicou que o combustível destinado ao projecto de Darkhoyen será produzido em Natanz, onde o regime desenvolve há vários anos o grosso das suas actividades de enriquecimento de urânio.
Na base dos argumentos evocados pelo Ocidente para exigir a suspensão do enriquecimento de urânio está aquilo que os peritos internacionais dizem ser a desproporção entre a capacidade de produção de urânio enriquecido e o número de centrais em desenvolvimento no Irão – o que consubstanciaria a tese de que às alegadas intenções pacíficas do regime subjaz uma agenda de escopo militar.
Responsáveis do regime, incluindo Aghazadeh, garantem que a unidade de enriquecimento de urânio de Natanz, situada perto da fronteira com o Iraque, continuará em expansão “durante vários anos”. O objectivo é passar das actuais 3.000 centrifugadoras para 50.000 dentro de cinco anos, por forma a prover, segundo o regime, as necessidades puramente energéticas de Darkhoyen.
O projecto de construção da central de Bouchehr arrancou em 1974 com a participação da empresa alemã Siemens. Os planos seriam abandonados logo após a Revolução Islâmica de 1979. Em 1994 a Rússia tomou em mãos o legado alemão. O que não impediu que o projecto conhecesse vários sobressaltos nos últimos anos, com a Rússia a justificar a demora na conclusão das obras com atrasos nos pagamentos por parte de Teerão.
O calendário para a conclusão do projecto ficou finalmente acordado na passada quinta-feira.
Principal impulsionadora de um terceiro pacote de sanções contra Teerão, a Administração norte-americana considera que o fornecimento de combustível nuclear russo é mais um argumento a favor da suspensão das actividades de enriquecimento de urânio.
“Se os russos fornecem o seu combustível aos iranianos, não há qualquer razão para que estes enriqueçam urânio”, afirmou Gordon Johndroe, porta-voz da Casa Branca.
O último relatório da AIEA sobre as actividades nucleares do Irão concluiu que o regime revela uma maior abertura em alguns aspectos do seu programa. Mas aponta também a existência de “zonas de sombra” e questões por responder.
Segundo a Atomstroiexport, empresa russa responsável pela construção dos reactores de Bouchehr, o urânio “foi colocado num entreposto especial, sob a garantia da AIEA, ao qual se aplica um sistema internacional” de vigilância e controlo.
Antecipando um abalo diplomático, o Governo russo já veio sublinhar que o combustível transportado para o Irão visa fins pacíficos. As remessas de combustível, afirma em comunicado o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, serão levadas a cabo “em conformidade com o acordo russo-iraniano para a construção de Bouchehr sob o controlo da AIEA”. Por outro lado, prossegue o comunicado, o regime iraniano “apresentou, em complemento, garantias escritas de que o combustível será exclusivamente utilizado para a central de Bouchehr”.
Moscovo instou também o regime a interromper as suas actividades de enriquecimento de urânio, agora que o projecto de construção da central de Bouchehr entrou na fase final. No entanto, este é um pedido ao qual o regime não está disposto a anuir. Em declarações difundidas pela televisão estatal do Irão, o responsável pela agência iraniana de energia atómica, Gholam Reza Aghazadeh, fez saber que o país vai continuar a enriquecer urânio para abastecer uma segunda central em construção na região de Darkhoyen, também no Sul.
“Temos uma central autóctone com uma capacidade de 360 megawatts em Darkhoyen (…) e essa central precisará de combustível”, disse Aghazadeh. O mesmo responsável explicou que o combustível destinado ao projecto de Darkhoyen será produzido em Natanz, onde o regime desenvolve há vários anos o grosso das suas actividades de enriquecimento de urânio.
Na base dos argumentos evocados pelo Ocidente para exigir a suspensão do enriquecimento de urânio está aquilo que os peritos internacionais dizem ser a desproporção entre a capacidade de produção de urânio enriquecido e o número de centrais em desenvolvimento no Irão – o que consubstanciaria a tese de que às alegadas intenções pacíficas do regime subjaz uma agenda de escopo militar.
Responsáveis do regime, incluindo Aghazadeh, garantem que a unidade de enriquecimento de urânio de Natanz, situada perto da fronteira com o Iraque, continuará em expansão “durante vários anos”. O objectivo é passar das actuais 3.000 centrifugadoras para 50.000 dentro de cinco anos, por forma a prover, segundo o regime, as necessidades puramente energéticas de Darkhoyen.
O projecto de construção da central de Bouchehr arrancou em 1974 com a participação da empresa alemã Siemens. Os planos seriam abandonados logo após a Revolução Islâmica de 1979. Em 1994 a Rússia tomou em mãos o legado alemão. O que não impediu que o projecto conhecesse vários sobressaltos nos últimos anos, com a Rússia a justificar a demora na conclusão das obras com atrasos nos pagamentos por parte de Teerão.
O calendário para a conclusão do projecto ficou finalmente acordado na passada quinta-feira.
Principal impulsionadora de um terceiro pacote de sanções contra Teerão, a Administração norte-americana considera que o fornecimento de combustível nuclear russo é mais um argumento a favor da suspensão das actividades de enriquecimento de urânio.
“Se os russos fornecem o seu combustível aos iranianos, não há qualquer razão para que estes enriqueçam urânio”, afirmou Gordon Johndroe, porta-voz da Casa Branca.
O último relatório da AIEA sobre as actividades nucleares do Irão concluiu que o regime revela uma maior abertura em alguns aspectos do seu programa. Mas aponta também a existência de “zonas de sombra” e questões por responder.