Irão suspende todo o processo de negociação de 60 dias com os EUA

Irão suspende todo o processo de negociação de 60 dias com os EUA

O Irão suspendeu todo o processo de negociação de 60 dias com os Estados Unidos depois de ter acusado Washington de violar a primeira cláusula do memorando de entendimento recentemente assinado.

RTP /
Presidência iraniana via AFP

Segundo as agências Fars e Al-Mayadeen, as autoridades iranianas argumentam que os ataques israelitas no sul do Líbano, menos de 24 horas após a assinatura eletrónica do acordo, constituíram uma violação direta das obrigações dos EUA no âmbito do pacto.

A delegação iraniana estava a preparar-se para viajar para a Suíça para a primeira ronda de negociações quando Teerão cancelou abruptamente a viagem. 

As autoridades iranianas afirmam agora que não cumprirão os seus compromissos até terem a plena certeza de que os ataques israelitas ao Líbano cessaram e que os EUA cumpriram os requisitos da primeira cláusula do acordo. De acordo com o memorando de entendimento entre Washington e Teerão, estava previsto um cessar-fogo imediato em todas as frentes, incluindo o Líbano.

Segundo o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, “a agenda do Líbano é uma prioridade máxima para o Irão”.

A primeira ronda de negociações entre os EUA e o Irão está agora, efetivamente, cancelada.

Rosário Salgueiro, enviada da RTP a Bürgenstock, explica o que o memorando de entendimento não está em causa e que o que foi adiado foram as negociações de 60 dias.
"Linhas vermelhas" de Teerão

O chefe da equipa de negociação do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, insistiu esta sexta-feira na necessidade de respeitar as "linhas vermelhas" do Irão.

"Como demonstrámos ao longo de negociações anteriores, mantivemo-nos firmes no respeito pelas condições e linhas vermelhas estabelecidas e na defesa dos interesses da nação iraniana", disse Ghalibaf, citado pela agência de notícias IRNA.

"Se o inimigo se tornar excessivo" nas suas exigências, "provamos que estamos prontos para retaliar e que não hesitaremos em dar uma resposta contundente", acrescentou Ghalibaf, que é também o presidente do Parlamento. Tráfego retomado no Estreito de Ormuz Entretanto, o tráfego foi retomado no Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio global de hidrocarbonetos, que tinha sido bloqueada pelo Irão desde o início da guerra. Os Estados Unidos, por sua vez, impuseram um bloqueio aos portos iranianos.

Um total de 25 embarcações comerciais transitou pelo Estreito de Ormuz na quinta-feira, após um acordo que permitiu a sua reabertura no dia anterior. Este volume é cinco vezes superior à média dos primeiros dez dias de junho e sem precedentes desde meados de abril, segundo dados da plataforma de rastreio marítimo AXSMarine, publicados esta sexta-feira.
Este é o número mais elevado num só dia desde as 28 travessias registadas a 18 de abril. Esta data coincidiu com um breve período de reabertura ao tráfego comercial no estreito, que é controlado de facto pelo Irão e por onde passam normalmente quase 20% da produção global de petróleo e outras matérias-primas cruciais.
A televisão estatal iraniana, citando um comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, anunciou que os navios que desejassem transitar pelo estreito deveriam submeter os seus pedidos a um novo órgão governamental.

De acordo com os termos do protocolo, "nenhuma taxa" será cobrada "por um período de 60 dias", reiterou.

Refletindo os receios renovados, os preços do petróleo voltaram a subir esta sexta-feira, após uma queda acentuada desde o anúncio do acordo, com o petróleo Brent do Mar do Norte, a referência global do mercado, a voltar a ultrapassar os 80 dólares por barril. Israel prossegue com ataques ao sul do Líbano No sul do Líbano, ataques aéreos israelitas mataram 18 pessoas e feriram 33 durante a noite, segundo um balanço preliminar do Ministério da Saúde em Beirute, enquanto o exército israelita reportou a morte de quatro dos seus soldados, incluindo um oficial de alta patente.

Estes são os bombardeamentos mais massivos e o maior número de vítimas desde o anúncio, na segunda-feira, do protocolo Irão-Estados Unidos, que apela à cessação das hostilidades, incluindo no Líbano, onde Israel e o movimento islamita Hezbollah, aliado de Teerão, estão em conflito."Os intensos ataques aéreos israelitas realizados desde a meia-noite até esta manhã impediram a evacuação dos mártires e dos feridos e resultaram em 18 mortos e 33 feridos, segundo um balanço preliminar", afirmou o Ministério da Saúde libanês em comunicado.

Os ataques atingiram pelo menos 10 localidades próximas da cidade de Nabatieh, no sul do Líbano, incluindo Harouf, onde oito pessoas morreram, de acordo com a Agência Nacional de Notícias Libanesa (NNA).

Outros ataques israelitas atingiram a região de Baalbek, no leste do país, que tinha sido relativamente poupada desde o início do conflito, a 2 de março.

“Todo o Líbano deve arder”, reagiu o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, figura da extrema-direita e importante aliado político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ao anúncio da morte dos soldados.

A França, por sua vez, pediu a Israel que “respeite” o memorando de entendimento.

c/agências



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