Irão volta a acusar países Ocidentais de estimular protestos
O Governo do Irão voltou a acusar os países ocidentais e, em particular o Reino Unido, de serem "cúmplices dos crimes", designando os protestos, que tiveram início após a divulgação dos resultados das eleições presidenciais. O Presidente do Irão, que será empossado na próxima semana, veio comparar os laços que o unem ao Ayatollah Khamenei a uma relação filial.
Desta forma, Ahmadinejad escuda-se das críticas da Oposição, após ter nomeado para vice-presidente Esfandiar Rahim Mashaie, que no ano passado asseverou a amizade entre os povos iraniano e israelita, tendo sido demitido na sequência dessa afirmação.
A recondução de Ahmadinejad será assinalada, segunda-feira, com uma cerimónia conduzida pelo ayatollah e, dois dias mais tarde, vai ser mandatado no Parlamento.
MNE volta a acusar Ocidente de alimentar violência
Uma das respostas mais frequentes do Executivo iraniano, quase sempre no rescaldo de uma manifestação, é a atribuição da responsabilidade pela violência aos países ocidentais. "Os países Ocidentais e Europeus, com os seus meios clandestinos ou públicos, imiscuíram-se na eleição iraniana (...) sendo a Grã-Bretanha o pior entre eles", disse Manoucher Mottaki.
Desde o escrutínio de 12 de Junho, morreram 30 pessoas nas acções de protesto contra os resultados.
"Os países que se intrometeram (na eleição) através das suas televisões, que explicaram como provocar motins, como fabricar explosivos e impulsionaram outros actos de tensão, são todos cúmplices de todos os crimes e mortes cometidos", declarou na televisão estatal o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros.
Protestos durante a noite
Dezenas de manifestantes incendiaram contentores de lixo e entoaram palavras de ordem para lembrar os que morreram em acções de carga policial aos protestos pós-eleitorais. Foram detidas 50 pessoas, entre as quais o realizador Jafar Panahi, libertado poucas horas mais tarde.
A polícia iraniana tinha, horas antes, dispersado à força centenas de pessoas que se concentraram num cemitério para homenagear as vítimas da repressão.