Irmão mais novo de Valentim Amões vai assumir presidência do grupo

Lisboa, 20 Jan (Lusa) - O irmão mais novo do empresário Valentim Amões, que morreu sábado num acidente de avião perto do Huambo, Angola, vai assumir a presidência do grupo, disse hoje à agência Lusa fonte da empresa.

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"Ainda ontem (sábado) foi instaurado um gabinete de crise onde houve conversações entre os assessores de Valentim Amões e os seus irmãos. O mais novo, Luís Amões, será o que vai assumir a presidência do grupo", disse hoje à Lusa o português Nelson Rodrigues, assessor para a área da indústria do empresário angolano.

De acordo com o assessor, o grupo Valentim Amões tem projectos em carteira na área da indústria para os próximos quatro anos no valor de mil milhões de dólares (680 mil milhões de euros) que se irão manter.

"São investimentos na área das cerâmicas, indústria da madeira e indústria alimentar, entre outros. Os projectos mantém-se porque são sonhos que Valentim Amões estava empenhado em realizar", disse Nelson Rodrigues.

Valentim Amões, considerado um dos homens de negócios angolanos de maior sucesso, era proprietário de 10 empresas, que vão do ramo da construção civil e da hotelaria, passando pelos diamantes, pela representação de marcas de refrigerantes internacionais, até à montagem de motorizadas, transportes, incluindo a aviação, e a banca.

Valentim Amões era membro do comité central do MPLA, o partido no poder em Angola desde a independência, em 1975, que hoje lamentou a morte do empresário e exortou os angolanos a seguirem o seu "exemplo empreendedor".

Nelson Rodrigues destacou ainda o "homem carismático e líder por natureza" que era Valentim Amões, sublinhando as suas preocupações de cariz social.

"Foi alguém que começou do zero e fez fortuna, mas sempre teve em conta o cariz social. Em todos os projectos que desenvolvia, tinha interesse em ajudar as pessoas, em criar postos de trabalho e em dar formação. Teve uma menção honrosa do papa Bento XVI e tinha uma Organização Não-Governamental para ajudar os desalojados da guerra civil", indicou.

A trabalhar como assessor de Valentim Amões há dois anos, Nelson Rodrigues veio a Portugal passar o Natal e tratar de questões pessoais, devendo regressar a Angola no início de Fevereiro.

Contudo, o regresso foi antecipado para segunda-feira, para poder assistir ao funeral de Valentim Amões.

O empresário angolano foi uma das 12 vítimas do acidente de avião que ocorreu sábado na província do Huambo, centro de Angola, entre as quais se encontram também dois empresários portugueses ligados ao ramo automóvel, Vasco Mendes de Almeida e Nuno Marques.

Estes, da empresa portuguesa Serfingest eram associados de Amões em vários negócios, nomeadamente na imprtação para Angola de carros fabricados na China.


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