Irmãos Muçulmanos vaticinam guerra civil no Egipto

Na sequência da fuzilaria que hoje custou a vida a meia centena de pessoas, a Irmandade Muçulmana acusou o Exército de criar todas as condições para que o Egipto vá pelo caminho da Síria e fique, em breve, mergulhado numa guerra civil. O Exército apresentou condolências às famílias das vítimas, sublinhando no entanto que não vacilará em reprimir manifestações que ponham em causa o plano político anunciado.

RTP /
Asmaa Waguih, Reuters

O dirigente da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badi, denunciou a sangrenta repressão de hoje como um "crime terrível", cometido contra civis, e acusou o Exército de querer conduzir o mais populoso país árabe pelo mesmo caminho que tem sido o da Síria. Recorde-se que o regime de Bashar al-Assad se encontra desde há dois anos envolvido numa sangrenta guerra civil contra um movimento oposicionista desencadeado na sequência da "primavera árabe" que custou, entre outros, o poder ao presidente egípcio Hosni Mubarak.

Também os salafitas do "Partido da Luz" fizeram saber ao Exército que, em consequência do massacre, se retiravam das negociações sobre o calendário político dos próximos tempos. Segundo o seu porta-voz, Nader Bakkar, "decidirmos, como reacção ao massacre dirante do clube da Guarda Republicana, retirar-nos imediatamente de todas as negociações".

O tiroteio dirante do quartel central da Guarda Republicana sucedeu durante uma manifestação dos "Irmãos Muçulmanos", pela libertação do presidente Mohammed Morsi, que se supõe estar detido nesse local desde o golpe de Estado. Segundo o Exército, os manifestantes tentaram atacar o quartel, e os militares abriram fogo para impedir esse ataque. O primeiro balanço foi de 42 mortos, tendo sido depois actualizado para 51.

Os organizadores da manifestação negam, entretanto, qualquer tentativa de atacar o quartel e dizem que se tratava de um protesto pacífico, em que toda a gente queria sentar-se diante das instalações.
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