"Irresponsável". Lula critica EUA por revogarem visto de embaixadora brasileira

"Irresponsável". Lula critica EUA por revogarem visto de embaixadora brasileira

As declarações surgem depois de os Estados Unidos terem revogado, na terça-feira, o visto da embaixadora do Brasil, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Adriano Machado - Reuters

O presidente brasileiro considerou esta quarta-feira “irresponsável” e irrefletida a atitude da Administração Trump ao revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington.

"Eles [Estados Unidos] tomaram a atitude de cessar o visto da nossa embaixadora. Se ela sair para cá, ela vai ter que tirar visto outra vez. Então, essa atitude é que eu acho uma atitude irresponsável, impensada para um país que tem 203 anos de diplomacia, de relação diplomática", declarou o líder brasileiro.

Um alto funcionário do Departamento de Estado explicou na terça-feira à agência Reuters que o visto foi revogado devido ao facto de o Brasil ter retido a aprovação diplomática formal do embaixador nomeado pela Administração Trump para Brasília e ter recusado vistos a vários diplomatas norte-americanos. Segundo os EUA, o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti será restabelecido se "a situação for resolvida".

No mês passado, o Brasil disse ter recusado vistos a funcionários do Gabinete de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado dos EUA, argumentando que a sua visita tinha como objetivo minar o sistema eleitoral brasileiro antes das eleições de outubro.

Além disso, o Governo brasileiro tem adiado há semanas a aprovação formal da nomeação de Daniel Perez para o cargo de embaixador. Perez, deputado estadual da Florida e aliado do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, foi nomeado por Trump para a embaixada.

Esta quarta-feira, Lula da Silva afirmou que "os Estados Unidos não dão importância para embaixador no Brasil, faz um ano e meio que ele está no poder e não mandou para cá”.

“Aí, tenta mandar e acha que a gente tem a obrigação de fazer a data que eles querem? Não é correto e não é possível, nós queremos ser tratados com respeito", explicou.

"Depois, eu fico sabendo da notícia que vinham dois jovens pra cá para se intrometer e fiscalizar e investigar as urnas brasileiras. O Itamaraty [Ministério dos Negócios Estrangeiros], corretamente, negou o visto para eles", acrescentou o presidente.

"Não podemos aceitar interferências com as eleições no Brasil", alertou.
“Uma escalada deliberada de medidas hostis”
Na última madrugada, após o anúncio da revogação do visto da embaixadora, o Governo brasileiro tinha já repudiado a decisão e classificado como "falsas" as justificações apresentadas.

O Palácio do Planalto sustentou ainda que a decisão "faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil", motivadas por "razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral" historicamente pautada pelo respeito mútuo.

"Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente", refere o comunicado.

O Governo brasileiro acrescentou que o processo de concessão do aprovação é confidencial, recordando que os EUA divulgaram publicamente o nome do seu candidato à embaixada em Brasília, Daniel Perez, antes de apresentarem formalmente o pedido ao Brasil.

Brasília acrescentou na nota que segue "estritamente o direito internacional" e sublinhou que a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas não estabelece qualquer prazo para a concessão da aprovação, indicando que o pedido norte-americano continua em análise.

c/ Lusa
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