Islândia pondera acelerar procedimentos de adesão à União Europeia

Islândia pondera acelerar procedimentos de adesão à União Europeia

Reykjavik iniciou negociações anteriormente que cancelaria em 2013 e em março de 2015 solicitou deixar de ser considerada candidata à adesão.

Um Olhar Europeu com ERTNews /
Florent Vergnes / AFP

A Islândia considera a possibilidade de antecipar um referendo para reiniciar as negociações de adesão à União Europeia, ainda em agosto. Embora o referendo estivesse inicialmente previsto para 2027, o processo parece estar a acelerar numa altura de convulsão geopolítica.

As negociações foram canceladas por Reykjavik em 2013 e, em março de 2015, a Islândia solicitou que deixasse de ser considerada candidata à adesão. 

O alargamento da UE está a intensificar-se, com Bruxelas a trabalhar num plano que poderá permitir a adesão parcial da Ucrânia já no próximo ano, enquanto o Montenegro encerrou recentemente outro capítulo das negociações. 

O parlamento islandês deverá anunciar a data da votação do referendo nas próximas semanas. Se os cidadãos votarem a favor, a Islândia poderá aderir à UE antes de qualquer outro país candidato.

A Comissária para o Alargamento da UE, Marta Kos, após reunião em Bruxelas com a ministra dos Negócios Estrangeiros da Islândia, Porgerur Katrin Gunnarsdottir, afirmou que "o debate sobre o alargamento está cada vez mais a deslocar-se para questões de segurança e estabilidade geopolítica". 

Entretanto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reuniu-se com o primeiro-ministro da Islândia, Kristrun Frostadotir, tendo salientado que a cooperação entre as duas partes "oferece estabilidade e previsibilidade num mundo volátil". 

A aceleração do processo é também atribuída à evolução das relações com os Estados Unidos. A imposição de direitos aduaneiros por Washington e as declarações do presidente Donald Trump sobre a anexação da Gronelândia, bem como os comentários do embaixador designado dos EUA na Islândia, Billy Long, segundo os quais o país poderia tornar-se o 52.º Estado norte-americano, contribuíram para aumentar a sensação de mal-estar. 

A Islândia candidatou-se à adesão à UE em 2009, no meio de uma grave crise financeira que levou ao colapso dos três maiores bancos comerciais. No entanto, as conversações foram suspensas em 2013, à medida que a economia recuperava e surgiam preocupações sobre a zona euro. 

O país, com uma posição estratégica no Atlântico Norte, não tem forças armadas e depende da adesão à NATO e de um acordo bilateral de defesa de 1951 com os EUA para a sua segurança. 

As sondagens de opinião revelam um apoio público crescente à adesão. No entanto, subsistem obstáculos significativos, nomeadamente no que se refere à pesca, um setor fundamental da economia islandesa. 

O antigo presidente Gudni Thorlacius Johanneson alertou para o facto de poderem existir sérios obstáculos políticos internos. Durante as negociações anteriores, a Islândia tinha encerrado 11 dos 33 capítulos de negociação. 

Como membro do Espaço Económico Europeu e do Espaço Schengen, a Islândia já incorporou grande parte da legislação europeia. Mesmo que as negociações sejam retomadas e concluídas, a adesão definitiva exigirá um novo referendo.

Apesar da dimensão geopolítica da questão, o elevado PIB per capita do país - o quinto mais elevado do mundo - torna os benefícios económicos da adesão para os islandeses menos decisivos do que para outros Estados candidatos.

ERTNews / 23 fevereiro 2026 06:50 GMT

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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