Israel admite que militar desaparecido não foi raptado pelo Hamas

Uma comissão de inquérito do Exército israelita (IDF) concluiu na noite de ontem que o tenente Hadar Goldin deve ser dado como morto em combate. O alegado rapto de Goldin pelo Hamas tinha servido de fundamento para cancelar a trégua de 72 horas entre israelitas e palestinianos e dera aso a várias intimações de dirigentes ocidentais e da ONU, para que o Hamas libertasse "incondicionalmente" aquele militar desaparecido. O Hamas sempre negara tê-lo em seu poder.

RTP /
A família do tenente Hadar Goldin, falando no sábado à imprensa Nir Elias, Reuters

Na noite de sábado para domingo, a comissão especial de investigação presidida pelo rabino principal do IDF anunciou que considerava o tenente desaparecido na sexta feira como morto e que comunicara à família os motivos que militam a favor dessa convicção.

O comunicado da comissão, publicado no portal "Ynet", não esclarece se foram encontrados no local do desaparecimento os restos mortais de Goldin, mas adianta que existiam aí suficientes vestígios para se dever concluir que ele está morto. Pela reacção da família do militar desaparecido, entende-se que o corpo não foi encontrado e que o funeral, já marcado, se realizará a título simbólico.

Foi entretanto confirmado que unidades israelitas começaram na noite de sábado para domingo a retirar-se de algumas áreas onde operavam até agora. Um porta voz do IDF afirmou que está concluída boa parte da destruição de túneis que foi apresentada como objectivo da invasão de Gaza.

Simcha Goldin, o pai do tenente desaparecido, comentou amargamente as notícias de que as primeiras unidades israelitas tinham começado uma retirada parcial, afirmando, segundo citação do diário israelita Jerusalem Post: “Eu fiz o meu serviço de reservistas até aos 50 anos, fui comandante de batalhão e para mim seria impensável que o IDF abandonasse um dos seus combatentes. O meu comandante no Comando do Norte era (o chefe de Estado Maior] Benny Gantz e ele nunca daria ordens para o IDF se retirar de algum lugar se ainda lá estivesse um soldado".

A unidade de Goldin fora atacada por combatentes palestinianos quando tratava de destruir um túnel. Dois militares israelitas foram mortos nessa ocasião através da detonação causada por um bombista suicida. Goldin encontrava-se ao lado de ambos, mas o seu cadáver não foi encontrado.
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