Israel admite ter matado três militares libaneses por engano
Israel admitiu ter matado hoje "dois oficiais e um soldado" libaneses por engano no sul do Líbano, num ataque que teria como alvo o grupo xiita pró-iraniano Hezbollah.
O exército israelita disse num comunicado que visou um veículo que fora detetado a movimentar-se "de forma suspeita" nas imediações da localidade de Tebnit.
Os militares de Israel descreveram o local como uma "zona de combate ativa" previamente evacuada e onde, de acordo com a sua versão, existiam indícios de atividade do grupo xiita libanês apoiado pelo Irão.
Afirmaram que o ataque ocorreu após a identificação do veículo e perante a "ameaça concreta" de fogo contra as tropas israelitas destacadas na zona.
A operação dirigia-se "contra o Hezbollah e não contra o exército libanês", declarou a força israelita no comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Acrescentou que o incidente estava a ser investigado e que seriam "extraídas as lições pertinentes".
O comando do exército do Líbano também divulgou um comunicado a denunciar que "uma agressão israelita bárbara" resultou no "martírio de dois oficiais, com as patentes de brigadeiro-general e capitão, e de um soldado".
"A continuação da agressão israelita brutal, deliberada e repetida contra o Líbano, o seu povo e o exército apenas reforça a nossa resolução, fé e determinação", afirmou no comunicado divulgado pela agência de notícias estatal NNA.
O comando libanês acusou Israel de, com os ataques, tentar "frustrar todos os esforços para alcançar uma solução que permita a restauração da estabilidade, um cessar-fogo abrangente e a retirada israelita dos territórios libaneses ocupados".
Os ataques israelitas não cessaram ao longo da noite e da manhã de hoje no sul libanês, onde se registaram bombardeamentos em quase todos os distritos, como Nabatieh, Sídon, Tiro, Jezzine, Marjayoun e Bint Jbeil.
O exército libanês não participa na atual guerra entre Israel e o Hezbollah, embora tenha sido alvo de diversos ataques desde o início do conflito, há já três meses.
As forças armadas libanesas são consideradas a espinha dorsal de qualquer futura solução negociada para a situação atual, uma vez que ficariam encarregadas de implementar um potencial desarmamento do Hezbollah e de o substituir nas zonas que controla.
O Líbano e Israel concordaram na quarta-feira com um cessar-fogo condicionado ao fim dos ataques do Hezbollah, que já rejeitou a proposta e voltou a apelar às autoridades libanesas para abandonarem as negociações.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no início de março, ao atacar Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, no início da ofensiva israelo-americanas contra o Irão.
Os ataques israelitas contra o Líbano provocaram mais de 3.560 mortos desde então, de acordo com o mais recente balanço das autoridades.
Do lado israelita, 27 soldados e um trabalhador civil contratado morreram no Líbano, segundo dados oficiais citados pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Teerão exige que qualquer acordo com Washington para terminar a guerra inclua o fim das hostilidades na frente libanesa, com a retirada das forças israelitas.