Israel ataca o sul do Líbano. Hezbollah disposto a retirar-se do sul caso Telavive deixe região

Israel ataca o sul do Líbano. Hezbollah disposto a retirar-se do sul caso Telavive deixe região

Foi a primeira vez que o presidente do Parlamento libanês, aliado do Hezbollah pró-iraniano, admitiu a possibilidade de o movimento abandonar o sul do país caso Israel se retire do Líbano e seja alcançado um cessar-fogo global. Entretanto, o exército israelita realizou novos ataques aéreos na região, depois de ter ordenado a evacuação de cerca de dez aldeias.

RTP /
Reuters

"Aceito a retirada do Hezbollah da zona a sul do rio Litani em paralelo com a retirada de Israel", bem como a implementação de um cessar-fogo "global e sem condições", afirmou o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, em comunicado.

Berri desempenha o papel de intermediário junto do Hezbollah. Dias antes da elaboração do cessar-fogo fracassado, Berri afirmou que poderia garantir que o Hezbollah cessaria os disparos em troca da suspensão dos combates.

O rio Litani, localizado a cerca de 30 quilómetros a norte da fronteira com Israel, delimita a zona tampão estabelecida pelas Nações Unidas em 2006, onde a presença do Hezbollah é proibida. Atualmente, as tropas israelitas avançaram para além do rio Litani no sul do Líbano. Israel ocupa agora mais de 608 quilómetros quadrados de território libanês. 

No mesmo comunicado, Berri acrescentou que o cessar-fogo deve ser “total e abrangente”, sem restrições nem condições em terra, no mar e no espaço aéreo, e “sem arrasar e destruir tudo o que existe”, referindo-se a vastas áreas que foram demolidas pelas tropas israelitas.

Berri criticou a criação de “zonas-piloto” previstas no acordo, bem como os apelos para um cessar-fogo unilateral por parte do Hezbollah e à retirada do movimento das zonas fronteiriças situadas a sul do rio Litani.

Em terra, também esta sexta-feira, o exército israelita realizou ataques aéreos em grandes áreas do sul, atingindo várias aldeias, segundo a Agência Nacional de Notícias (NNA).

O Líbano e Israel têm participado de negociações em duas frentes em Washington para alcançar um cessar-fogo, mas o sucessor dessas negociações não tem sido alcançado devido à recusa do Hezbollah.

Israel e Líbano acordaram na quarta-feira renovar o cessar-fogo e criar várias zonas de segurança "piloto" dentro do Líbano, nas quais os militantes do Hezbollah estão proibidos de permanecer.

Num comunicado conjunto divulgado após uma quarta ronda de negociações mediadas pelos Estados Unidos no Departamento de Estado, os dois lados afirmaram que o cessar-fogo “está condicionado à cessação completa de fogo do Hezbollah e à retirada de todos os operacionais do Hezbollah” das áreas a sul do rio Litani.

Porém, não é claro, para já, como serão estabelecidas as zonas de segurança, mas o acordo prevê que o exército libanês assuma o controlo total dessas áreas.

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