Israel avisa que bombardeará qualquer veículo a sul do Litani
Israel avisou a população libanesa de que bombardeará "qualquer veículo que circule a sul do rio Litani", o que inclui a cidade de Tiro, no sul do Líbano.
"Qualquer veículo que circule a sul do Litani será bombardeado, pois será suspeito de transportar foguetes e armamento para terroristas", advertem panfletos escritos em árabe, lançados pela aviação, com a assinatura do "Estado de Israel".
O Litani, dependendo do curso do rio, situa-se a uma distância de entre cinco a 30 quilómetros da fronteira israelita, lançando-se no Mediterrâneo a cerca de 70 quilómetros a sul de Beirute e a seis quilómetros a norte de Tiro.
O "exército israelita vai intensificar a ofensiva e atacar com maior intensidade elementos terroristas (Hezbollah) que vos utilizam como escudos humanos e lançam mísseis do interior de vossas casas em direcção ao Estado de Israel", lê-se nos panfletos.
"Saibam que qualquer pessoas que circule a bordo de um veículo está a colocar a sua vida em perigo", adverte o texto.
Depois de terem sido lançados os panfletos, as ruas de Tiro e as estradas de acesso a essa cidade ficaram totalmente vazias, à excepção de alguns veículos de socorro e de jornalistas.
O exército israelita impôs, desde segunda-feira à noite, uma proibição de circulação de veículos na região, na perspectiva de um "alargamento das operações contra o Hezbollah no sul do Líbano".
Os bombardeamentos israelitas, os ataques do Hezbollah e os combates no sul do Líbano prosseguem hoje, enquanto o Conselho de Segurança da ONU, animado com a decisão de Israel de estudar uma proposta libanesa que lima os pontos de desacordo sobre o texto, analisa alterações à proposta de cessar-fogo.
O primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, garantiu hoje que a ideia do seu homólogo libanês, Fuad Siniora, de destacar 15.000 soldados na fronteira com Israel - aceite pelo Hezbollah - é "interessante" e que o seu Governo a vai estudar.
Para Beirute, o destacamento de tropas libanesas, que requer a retirada simultânea dos soldados israelitas, supõe "uma saída para a actual situação que permitirá alcançar um fim efectivo das hostilidades".
Entretanto, o Conselho de Segurança reúne-se hoje com uma delegação da Liga Árabe, cujos membros se opõem a que no acordo alcançado entre a França e os Estados Unidos não seja exigida a retirada de Israel do sul do Libano.
No terreno, milhares de reservistas israelitas aguardam ordens para prosseguir pelo menos até ao rio Litani.
A zona fronteiriça continua hoje a ser palco de intensos combates entre soldados israelitas e combatentes do Hezbollah, particularmente nos subúrbios de Bint Jbeil, segundo fontes israelitas.
As fontes indicaram que morreram hoje dois soldados israelitas e cinco ficaram feridos nessa localidade, enquanto dois reservistas morreram em Labuna.
O Hezbollah disparou esta manhã 41 mísseis "katiusha", metade dos quais caíram em Kiriat Shmona, onde uma pessoa ficou ferida.
Os habitantes que ainda se encontram nessa localidade, a mais castigada desde o início do conflito, serão transportados hoje para outros pontos do país.
O lançamento desses "katiusha - que atingiram também Naharia, Tiberíades, Carmiel, Safed e várias localidades árabes da Galileia -, foi a resposta do Hezbollah aos bombardeamentos aéreos israelitas, cujos aviões atacaram esta madrugada 87 objectivos.
Pelo menos 20 pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas segunda-feira à noite, num ataque, no bairro de Shiaj, no sul de Beirute, segundo a televisão local LBC, que informou da existência de outras 15 vítimas em diferentes ataques na mesma zona.
O bombardeamento foi cometido na altura em que o secretário- geral da ONU, Kofi Annan, qualificava o ataque de Israel contra um edifício da localidade libanesa de Caná - onde morreram pelo menos 28 civis -, uma violação do direito internacional.