Israel bombardeia fronteira com a Síria
A aviação israelita bombardeou pela primeira vez a zona de fronteira entre o Líbano e a Síria, para onde já fugiram 90.000 libaneses, segundo fontes libanesas e sírias.
"Um caça israelita lançou quatro mísseis para a zona de fronteira (con hecida como terra de ninguém) entre o Líbano e a Síria, a 20 metros do posto fro nteiriço de Masnaa", informou a polícia libanesa.
O exército israelita já confirmou o ataque, referindo que tem como obje ctivo impedir que o grupo xiita libanês Hezbollah faça sair do Líbano os dois so ldados israelitas que raptou.
Segundo o porta-voz do exército, o ataque serve também para impedir que combatentes do Hezbollah fujam para a Síria, bem como que sejam introduzidas ar mas e munições no Líbano. Entretanto, o Governo sírio informou hoje que cerca de 90.000 pessoas atravessaram a fronteira com o Líbano nos últimos três dias, fugindo dos ataques de Israel, que começaram quarta-feira depois do Hezbollah ter raptado dois sold ados israelitas.
O Governo sírio, através de uma declaração assinada pelos ministros do Interior e das Finanças, refere que está a acompanhar "de muito perto" a situaçã o dos "irmãos árabes e libaneses que se dirigem maciçamente para a Síria desde a s zonas fronteiriças".
As autoridades sírias deram instruções à guarda fronteiriça para que fa cilitem a passagem aos diplomatas árabes e estrangeiros e aos trabalhadores das Nações Unidas.
O conflito entre Israel e o Líbano dividiu hoje os chefes da diplomacia de 18 países que participaram numa reunião de emergência da Liga Árabe, no Cair o, nomeadamente em relação à legitimidade do Hezbollah de se defender dos ataque s israelitas.
De acordo com fontes diplomáticas, que pediram anonimato, o ministro do s Negócios Estrangeiros saudita, Saud al-Faisal, criticou as acções do grupo xii ta libanês, qualificando-as de "actos inesperados, desadequados e irresponsáveis ".
"Estes actos vão fazer com que a região recue e nós não podemos aceitá- los", disse o chefe da diplomacia saudita, cuja opinião é partilhada pelos repre sentantes do Egipto, Jordânia, Kuwait, Iraque, Autoridade Nacional Palestiniana e Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Por outro lado, os defensores do Hezbollah, nomeadamente o ministro do s Negócios Estrangeiros sírio, Walid Moallem, consideram que os actos do grupo s ão "legítimos, de acordo com as resoluções internacionais e a carta das Nações U nidas, como actos de resistência".
A ofensiva israelita provocou já pelo menos 88 mortos libaneses, a maio ria civis, enquanto os ataques do Hezbollah contra o norte de Israel fez 15 mortos, quatro civis e 11 soldados.