Mundo
Israel compara política externa sueca com montagem de móveis do IKEA
A Suécia comunicou na manhã de quinta-feira que o país passa a reconhecer oficialmente o Estado da Palestina, anúncio que está a irritar o governo israelita e levou já os Estados Unidos a recomendar cautela nas abordagens ao dossier do Médio Oriente. Confirmando uma promessa do novo governo de esquerda, que estava em carteira desde o início do mês, a ministra dos Negócios Estrangeiros foi a autora do comunicado que torna a Suécia no primeiro da União Europeia a reconhecer o Estado palestiniano. Mahmud Abbas, o presidente palestiniano, saudou mais este passo em direção ao reconhecimento da Palestina como Estado independente.
"O Governo tomou a decisão de reconhecer o Estado da Palestina. É um passo importante, que confirma o direito da Palestina à autodeterminação".
O anúncio - publicado no jornal Dagens Nyheter - foi feito pela chefe da diplomacia sueca. Margot Wallstrom declarou que este foi um passo assumido pela Suécia para ajudar a pôr fim a décadas de violência na região: “A nossa decisão surge num momento crítico, porque no ano passado vimos como as conversações de paz estagnaram, como as decisões relativas a novos colonatos [israelitas] instalados nas terras ocupadas da Palestina acabaram por complicar a negociação da via de dois Estados. E vimos como regressou a violência à Faixa de Gaza”. Por todo o mundo são já 135 os países que reconhecem a Palestina. Os palestinianos lutam há décadas por um estado palestiniano – neste momento dividido entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza – com a capital instalada em Jerusalém
“Há um debate em curso em muitos outros Estados-membros da União Europeia e esperemos que este seja também um passo nesta direção”, acrescentou Wallstrom na comunicação desta quinta-feira.
E, numa resposta aos críticos que apontavam tratar-se de uma decisão precipitada, a chefe da diplomacia sueca defendeu antes que “pode é ser demasiado tardia”. E foi neste sentido que Margot Wallstrom deixou no seu comunicado um sinal de esperança face aos “sinais de que esta orientação [de reconhecimento do Estado Palestiniano] poderá vir a acontecer em outros Estados-membros”.
Promessa do primeiro-ministro Stefan Loefven
O chefe do novo Governo de esquerda aproveitara a primeira intervenção no Parlamento sueco, no início de outubro, para deixar esta promessa. Stefan Loefven garantiu então que a Suécia seria o primeiro da União Europeia na Europa ocidental a reconhecer o Estado palestiniano.
Loefven seguia as passadas de sete países membros da União que já reconheceram o Estado palestiniano: República Checa, Polónia, Bulgária, Chipre, Hungria, Roménia e Malta. Na Europa há ainda o caso da Islândia (que não pertence à União Europeia).
Israel chama embaixador sueco para explicações
A reacção israelita foi a esperada: desde há muito que vem defendendo que a Palestina apenas poderá ganhar o estatuto de Estado independente através de negociações diretas com Israel e nunca através de outros canais diplomáticos.Telavive começou por chamar o embaixador sueco para explicações e acabou o dia a fazer regressar a casa o embaixador israelita Isacc Bachman, que estava colocado em Estocolmo desde 2012.
O jornal israelita Haaretz avança entretanto com a possibilidade de o governo de Netanyahu ponderar baixar o nível de representação diplomática na Suécia.
A meio da tarde, Telavive fazia regressar a Israel o seu embaixador em Estocolmo, Isaac Bachman, face ao que - em declarações à AFP do porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros - Israel considerou ser uma “decisão inútil que não contribui em nada para o retorno [das partes israelita e palestiniana] à mesa de negociações”.
O mal-estar gerado pela decisão de Estocolmo fica claro nas palavras do ministro israelita dos Negócios Estrangeiros: “O Governo sueco deve compreender que as relações no Médio Oriente são um pouco mais complexas do que a montagem de móveis da IKEA e que, por isso, estamos todos obrigados a agir com responsabilidade e sensibilidade”.
O reconhecimento do estado palestiniano “é uma decisão lamentável que reforçará os elementos extremistas e a política de recusa dos palestinianos”, prognosticou ainda Avigdor Lieberman.
O anúncio - publicado no jornal Dagens Nyheter - foi feito pela chefe da diplomacia sueca. Margot Wallstrom declarou que este foi um passo assumido pela Suécia para ajudar a pôr fim a décadas de violência na região: “A nossa decisão surge num momento crítico, porque no ano passado vimos como as conversações de paz estagnaram, como as decisões relativas a novos colonatos [israelitas] instalados nas terras ocupadas da Palestina acabaram por complicar a negociação da via de dois Estados. E vimos como regressou a violência à Faixa de Gaza”. Por todo o mundo são já 135 os países que reconhecem a Palestina. Os palestinianos lutam há décadas por um estado palestiniano – neste momento dividido entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza – com a capital instalada em Jerusalém
“Há um debate em curso em muitos outros Estados-membros da União Europeia e esperemos que este seja também um passo nesta direção”, acrescentou Wallstrom na comunicação desta quinta-feira.
E, numa resposta aos críticos que apontavam tratar-se de uma decisão precipitada, a chefe da diplomacia sueca defendeu antes que “pode é ser demasiado tardia”. E foi neste sentido que Margot Wallstrom deixou no seu comunicado um sinal de esperança face aos “sinais de que esta orientação [de reconhecimento do Estado Palestiniano] poderá vir a acontecer em outros Estados-membros”.
Promessa do primeiro-ministro Stefan Loefven
O chefe do novo Governo de esquerda aproveitara a primeira intervenção no Parlamento sueco, no início de outubro, para deixar esta promessa. Stefan Loefven garantiu então que a Suécia seria o primeiro da União Europeia na Europa ocidental a reconhecer o Estado palestiniano.
Loefven seguia as passadas de sete países membros da União que já reconheceram o Estado palestiniano: República Checa, Polónia, Bulgária, Chipre, Hungria, Roménia e Malta. Na Europa há ainda o caso da Islândia (que não pertence à União Europeia).
Israel chama embaixador sueco para explicações
A reacção israelita foi a esperada: desde há muito que vem defendendo que a Palestina apenas poderá ganhar o estatuto de Estado independente através de negociações diretas com Israel e nunca através de outros canais diplomáticos.Telavive começou por chamar o embaixador sueco para explicações e acabou o dia a fazer regressar a casa o embaixador israelita Isacc Bachman, que estava colocado em Estocolmo desde 2012.
O jornal israelita Haaretz avança entretanto com a possibilidade de o governo de Netanyahu ponderar baixar o nível de representação diplomática na Suécia.
A meio da tarde, Telavive fazia regressar a Israel o seu embaixador em Estocolmo, Isaac Bachman, face ao que - em declarações à AFP do porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros - Israel considerou ser uma “decisão inútil que não contribui em nada para o retorno [das partes israelita e palestiniana] à mesa de negociações”.
O mal-estar gerado pela decisão de Estocolmo fica claro nas palavras do ministro israelita dos Negócios Estrangeiros: “O Governo sueco deve compreender que as relações no Médio Oriente são um pouco mais complexas do que a montagem de móveis da IKEA e que, por isso, estamos todos obrigados a agir com responsabilidade e sensibilidade”.
O reconhecimento do estado palestiniano “é uma decisão lamentável que reforçará os elementos extremistas e a política de recusa dos palestinianos”, prognosticou ainda Avigdor Lieberman.