Israel declara área alargada no sul do Líbano como "zona de guerra"

Israel declara área alargada no sul do Líbano como "zona de guerra"

O exército israelita instou hoje os habitantes do sul do Líbano a deslocarem-se para norte do rio Zahrani e demarcou 18% do território libanês entre a fronteira e esta nova linha divisória como "zona de combate".

Lusa /
Reuters

"Aconselhamos os residentes do sul do Líbano a retirarem-se para norte do rio Zahrani, uma vez que todas as áreas a sul do rio são consideradas zona de combate", declarou o porta-voz militar em árabe Avichay Adraee na rede X, acrescentando que as forças israelitas "não têm qualquer intenção de prejudicar a população civil".

Este é o segundo aviso de evacuação em grande escala emitido hoje pelo exército de Israel, depois de ter alertado os habitantes da cidade costeira de Tiro e arredores, no sul do Líbano, para se retirarem da região.

A cidade histórica libanesa tinha cerca de 200 mil habitantes antes da guerra, enquanto o aviso de evacuação alargado emitido mais tarde para o novo perímetro de confrontos no sul do país contava com mais de 800 mil.

O exército anunciou na terça-feira que estava a aumentar as suas operações terrestres para além da "linha amarela", a cerca de dez quilómetros da fronteira entre os dois países e que servia como uma alegada zona de proteção em território libanês.

Com o anúncio de hoje, a área de operações contra o grupo xiita apoiado pelo Irão foi estendida do anterior limite, demarcado pelo rio Litani, para o rio Zahrani, a cerca de 40 quilómetros da fronteira.

"Os ataques contra centros de comando do Hezbollah na região de Tiro estão em curso", indicou o exército em comunicado, acrescentando que foram também visados outros alvos no sul do país e no Vale do Bekaa, no leste.

Desde o início da semana, as forças israelitas atacaram cerca de 550 alvos do Hezbollah no Líbano, segundo o comunicado militar, apesar do cessar-fogo acordado pelas autoridades libanesas e israelitas com efeitos a partir de 17 de abril.

A trégua não é porém reconhecida pelo grupo xiita apoiado pelo Irão, tal como as negociações de paz israelo-libanesas em curso, com o patrocínio dos Estados Unidos.

Depois de ter falado no domingo por telefone com o Presidente norte-americano, Donald Trump, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ameaçou intensificar a ofensiva no Líbano face à persistência de ataques aéreos do Hezbollah contra Israel.

As negociações de paz no Líbano estão ligadas às conversações indiretas entre Estados Unidos e Irão sobre o conflito iniciado em 28 de fevereiro pela ofensiva aérea israelo-americana contra a República Islâmica.

Teerão tem exigido reiteradamente que a cessação das hostilidades deve abranger todo o Médio Oriente, incluindo o Líbano, enquanto Israel afirma que não se vai deter enquanto o Hezbollah não for desarmado e neutralizado.

O país foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.

Desde 02 de março, pelo menos 3.270 pessoas morreram e mais de 9.800 ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também acima de um milhão de deslocados.

Do lado israelita, 24 pessoas foram mortas no mesmo período, incluindo 23 soldados e um contratado civil.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.

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