Israel e Líbano concordaram em prolongar o cessar-fogo por mais 45 dias

Israel e Líbano concordaram em prolongar o cessar-fogo por mais 45 dias

Apesar do acordo, o exército israelita continua a atacar posições do movimento Hezbollah no sul do país.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Shir Torem - Reuters

O anúncio do prolongamento do cessar-fogo foi feito esta sexta-feira pelo departamento de Estado norte-americano, que está a servir de mediador no conflito.

"A cessação das hostilidades de 16 de abril será prolongada por 45 dias para permitir novos avanços", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggott, após o fim do segundo dia de negociações.

Pigott, que descreveu as conversas como "altamente produtivas", disse que as negociações políticas serão retomadas nos dias 2 e 3 de junho, enquanto uma "via de segurança" começaria a 29 de maio no Pentágono, envolvendo delegações militares libanesas e israelitas.

“Esperamos que essas discussões promovam uma paz duradoura entre os dois países, o pleno reconhecimento da soberania e integridade territorial de cada um e o estabelecimento de uma segurança genuína ao longo de sua fronteira comum”, disse Pigott.

As negociações desta semana foram o terceiro encontro entre as partes desde que Israel intensificou os ataques aéreos contra o Líbano, depois de o Hezbollah ter disparado mísseis contra Israel a 2 de março, três dias após o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irão. Israel tinha alargado a sua invasão terrestre ao sul do Líbano no mês passado.

Travada paralelamente ao conflito entre os EUA e o Irão, a guerra de Israel no Líbano continua apesar do acordo de cessar-fogo declarado a 16 de abril pelo presidente norte-americano, Donald Trump. 
Líbano não aguenta mais guerras "irresponsáveis"
O primeiro-ministro libanês condenou esta sexta-feira o movimento pró-Irão Hezbollah por arrastar o Líbano para mais uma guerra "irresponsável", apelando ao apoio dos países árabes e da comunidade internacional em geral nas negociações com Israel.

"Basta destas aventuras irresponsáveis ​​ao serviço de projetos ou interesses estrangeiros", declarou Nawaf Salam, referindo-se ao Hezbollah, durante um jantar oferecido por uma ONG, acrescentando que apenas as forças armadas deveriam possuir armas no país.

Falando pouco depois do anúncio da prorrogação do cessar-fogo por 45 dias, na sequência das negociações entre o Líbano e Israel em Washington, o primeiro-ministro afirmou ainda esperar "mobilizar todo o apoio árabe e internacional para reforçar" a posição libanesa nas discussões.

Segundo as autoridades libanesas, pelo menos sete pessoas foram mortas no sul do país esta sexta-feira em consequência dos ataques israelitas. No total, o Ministério da Saúde libanês informou que 2.951 pessoas morreram em ataques israelitas desde 2 de março.

Esta sexta-feira, um ataque israelita detruiu um centro de cuidados de saúde primários na cidade de Tiro, no sul do Líbano, provocando a morte de três socorristas.


“O inimigo israelita atacou diretamente o centro de saúde na cidade de Tiro, o que levou à sua completa destruição e causou danos significativos no Hospital Hiram adjacente”, afirmou o Ministério da Saúde libanês.

O ministério “condenou a contínua abordagem criminosa do inimigo israelita contra as equipas médicas e de ambulâncias, e a sua insistência em atacar sistematicamente o setor da saúde”.

“Isto constitui uma clara e repetida violação das Convenções de Genebra, que garantem a proteção das instalações, unidades e hospitais médicos", denunciou.

c/agências
Tópicos
PUB