EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Israel reivindica "duro golpe" contra Hezbollah com ataques aéreos maciços no Líbano

Israel reivindica "duro golpe" contra Hezbollah com ataques aéreos maciços no Líbano

 O chefe do Estado-Maior do Exército israelita reivindicou hoje um "duro golpe" contra o Hezbollah com os ataques aéreos maciços de quarta-feira no Líbano, a par da ofensiva terrestre no país vizinho contra o movimento pró-iraniano. 

Lusa /
Raghed Waked - Reuters

"Enquanto avançamos e operamos na linha da frente, ontem (quarta-feira) desferimos um golpe duro e poderoso contra o Hezbollah", afirmou o tenente-general Eyal Zamir às tropas destacadas no terreno, durante uma avaliação da situação no sul do Líbano. 

Os combatentes do movimento islamita, municiado e financiado por Teerão, "abandonaram" o seu bastião nos subúrbios a sul de Beirute, após estes ataques mortíferos de magnitude sem precedentes, adiantou Eyal Zamir. 

Esta foi a maior vaga de ataques no Líbano desde o reatamento, em 02 de março, dos confrontos militares entre Israel e o Hezbollah, logo após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, a 28 de fevereiro. 

As dezenas de bombardeamentos de Israel em Beirute e no sul e leste do país vizinho provocaram 303 mortos e 1.150 feridos, segundo o último balanço do Ministério da Saúde libanês.  

Após estes ataques colocarem em perigo o cessar-fogo acordado entre os Estados Unidos e o Irão na terça-feira, hoje o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou que ordenou ao seu gabinete que iniciasse "negociações diretas" com o Líbano. 

Netanyahu anunciou que vai iniciar negociações diretas com o Governo libanês destinadas a desarmar o Hezbollah e estabelecer "relações pacíficas" entre os dois países. 

"Considerando os repetidos apelos do Líbano para o início de negociações diretas com Israel, instruí ontem [quarta-feira] o executivo para as iniciar o mais rapidamente possível", afirmou Netanyahu numa nota divulgada pelo seu gabinete. 

O Departamento de Estado confirmou à EFE que irá organizar a reunião na próxima semana "para abordar as negociações em curso sobre o cessar-fogo" entre Israel e o Líbano, sem especificar a data exata. 

O embaixador de Israel em Washington, Yechiel Leiter, deverá liderar as negociações pelo lado israelita com o Líbano, noticiaram vários meios de comunicação israelitas, citando um alto responsável. 

Um elemento do Governo libanês afirmou à AFP que Beirute quer obter um cessar-fogo antes de iniciar conversações com Israel. 

Em reação aos desenvolvimentos de hoje, um deputado do Hezbollah reiterou a rejeição do grupo ao diálogo com Israel. 

"Reiteramos a nossa rejeição de quaisquer negociações diretas entre o Líbano e o inimigo israelita, bem como a necessidade de aderir aos princípios nacionais, principalmente a retirada israelita, a cessação das hostilidades e o regresso dos residentes às suas aldeias e cidades", disse Ali Fayyad num comunicado divulgado pelos órgãos de comunicação do grupo. 

No entanto, Ali Fayyad concordou com o Governo libanês em relação a um cessar-fogo "como condição prévia para a adoção de quaisquer outras medidas".  

Israel concordou com a trégua entre Irão e Estados Unidos, mas sustentou que, ao contrário do que tinha sido indicado inicialmente pela mediação do Paquistão, o entendimento excluía o Líbano, levando Teerão a repor temporariamente o bloqueio ao tráfego marítimo no estreito de Ormuz e a colocar em dúvida a sua presença nas negociações de paz com os Estados Unidos, previstas para os próximos dias em Islamabad. 

O Hezbollah retomou os ataques contra território israelita em 02 de março, interrompendo um cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024 que nunca foi verdadeiramente respeitado. 

No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do grupo xiita, que, apesar disso, nunca deixou de lançar projéteis e drones contra o território israelita.   

Ao longo das últimas semanas, Israel desencadeou uma forte campanha de bombardeamentos no Líbano, a par da expansão das posições terrestres que já ocupava no sul do país no anterior conflito, provocando mais de 1.500 mortes e acima de um milhão de deslocados, de acordo com as autoridades de Beirute. 

 

Tópicos
PUB